Projeto que substitui plástico em mudas venceu a Mostra Estadual de Ciência e representará MT na USP em 2027
Antes da conquista, havia uma pergunta para os alunos e professores da Escola Técnica Estadual (Etec) de Tangará da Serra: como produzir mudas e reduzir o uso dos recipientes plásticos que, depois do plantio, podem se tornar resíduos no ambiente? A busca por uma resposta mobilizou o grupo e deu origem ao projeto “Tubete Biodegradável para Agricultura Sustentável”. A proposta conquistou a classificação para a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), na Universidade de São Paulo (USP), que acontecerá de 15 a 19 de março de 2027.
A ideia do projeto é substituir os recipientes plásticos utilizados na produção de mudas por uma alternativa biodegradável. A inspiração veio dos vasos de fibra de coco. O material foi pensado para favorecer o desenvolvimento das mudas, já que a composição busca contribuir para a retenção de água e o fornecimento de nutrientes durante o crescimento das plantas.
O trabalho também alcançou o primeiro lugar da categoria Ciências, no Ensino Médio, na 18ª Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), realizada durante a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Como prêmio, os integrantes receberam bolsas de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), o Prêmio Águas Cuiabá e uma cesta de prêmios concedida pelo Instituto Farmun.
Os reconhecimentos deram visibilidade à pesquisa e ampliaram as perspectivas das estudantes, que encontraram na formação técnica a oportunidade de desenvolver uma solução voltada à realidade do campo.
Para Beatriz Pereira, integrante da equipe, a notícia trouxe a sensação de que o esforço coletivo ganhou reconhecimento. No desenvolvimento do projeto, ela identifica a contribuição dos colegas, o acompanhamento do professor orientador Fernando Xavier e o apoio da escola. Segundo ela, a possibilidade de apresentar a pesquisa em São Paulo representa também a chance de conhecer profissionais e compartilhar experiências.
“Nós estamos aprendendo coisas, desenvolvendo experiências, estamos tendo contato com outros profissionais, e eu sinto que isso está nos ajudando a formar uma melhor identidade, uma melhor visão de futuro”, afirma a estudante.
Quando cita as conquistas do projeto, Shayanne Pereira, outra integrante do grupo, ressalta que o aprendizado se conecta às escolhas que virão depois da escola. Para ela, a experiência com a pesquisa aproximou o grupo da ciência e abriu espaço para pensar na presença das mulheres nesse campo e nas possibilidades de atuação profissional.
“A área da ciência é uma área muito boa para as mulheres. Quando a gente entra nessa área, a gente entende o quanto é bom trabalhar nela e o quanto ela abre portas para a nossa vida profissional”, destaca Shayanne.
A diretora da Etec de Tangará da Serra, Wérica Nascimento, acredita que as premiações evidenciam o papel da escola pública na formação de estudantes que aprendem a observar a realidade e a intervir nela.
“Os nossos estudantes não estão apenas aprendendo de forma passiva. Ao construir projetos, eles precisam investigar, precisam errar, precisam identificar um problema para poder ter alguma solução”, finalizou a diretora.
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