Todos estão nomeados em postos de comando ou controle financeiro e de pessoas, com participação de cinco conselheiros de Contas
A Polícia Federal identificou 21 pessoas articuladas no suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Eles estavam em cargos de comando e teriam usado seus postos para controlar as ações do grupo.
O caso é investigado na Operação Tomada de Contas deflagrada nessa quinta-feira (29). O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, é apontado como o principal ponto do esquema, com a coordenação de operadores financeiros.
A quantia movimentada e identificada, entre janeiro e outubro de 2025, chega a R$ 75,8 milhões. Além de Sérgio Ricardo, outros quatro conselheiros participariam do esquema – Alisson Alencar, José Carlos Novelli, Guilherme Maluf e conselheiro aposentado Valter Albano, que não compõe o pleno do tribunal, mas é membro da Comissão de Fiscalização.
A Polícia Federal aponta que das 21 pessoas investigadas, cinco eram conselheiros e 16 estavam em postos de comando. Grhegory Paiva Pires Moreira Maia é o consultor jurídico geral cedido pela Assembleia Legislativa ao TCE. Ele teria recebido R$ 32 milhões no esquema.
Gustavo Fernandes da Silva, assistente jurídico, subordinado a Grhegory Paiva, teria recebido R$ 15,8 milhões. Felipe José Glinke é assessor jurídico da presidência do TCE, e sua parte no esquema teria sido de R$ 9,9 milhões.
Roseli Loss, secretária executiva, é apontada como função principal na movimentação financeira, com saque de dinheiro de supostas propinas, e é apontada como pessoa de confiança do presidente Sérgio Ricardo. Ela é seria a procuradora bancária de Sérgio Ricardo e sacava dinheiro, em quantias de R$ 200 mil, desde 2024.
Adriangelo Barros Antunes, assessor do presidente, seria o responsável pelo transporte do dinheiro sacado. Ele teria recebido R$ 2,2 milhões por participação no suposto esquema.
Maurício Marques Junior, secretário executivo do orçamento do TCE-MT teria participação no fluxo do dinheiro investigado. Ele seria um dos responsáveis por apontar para o dinheiro do esquema ia e por onde voltava. O valor que entrou em sua própria conta teria sido de R$ 1,7 milhão.
Edson Luiz Ribeiro de Oliveira é coordenador de execução orçamentária, responsável por emitir ordens bancárias. Ele citado como o destinatário de R$ 2,1 milhões. O auditor público externo Carlos Alexandre Pereira teria recebido R$ 958 mil.
Eneias Viegas da Silva, técnico de controle público externo e secretário executivo de gestão de pessoas, teria recebido R$ 2,8 milhões. Adjair Roque de Arruda, secretário executivo de planejamento, recebeu nas contas R$ 1,5 milhão. Carlos Felipe de Oliveira Almeida, assistente técnico financeiro, teria recebido R$ 673 mil.
A Polícia Federal cita funcionários públicos responsáveis pelas comissões presididas por conselheiros investigados na operação que também teriam participado do esquema. Olavo Lage Filho, secretário executivo de comissão comandada por José Carlos Novelli, teria recebido R$ 888 mil.
Além dele, Jocimauro Bento do Carmo, técnico de controle externo da mesma comissão permanente, teria recebido R$ 3 milhões. VItor Turri Romano fora chefe de gabinete da comissão de Novelli, e teria recebido R$ 1 milhão.
Márcio Antônio Silvério é assessor técnico jurídico e casado com uma prima de José Novelli. Segundo a PF, ele teria recebido parcelas fixas de R$ 11 mil e que mais tarde começou a variar entre R$ 100 mil e R$ 120 mil.
A investigação também cita Carlos Romeu Rodrigues Medeiros como participantes do suposto esquema. Ele primeiro foi consultor técnico jurídico no gabinete do então conselheiro Valter Albano e depois no de Alisson Alencar. A quantia que teria sido repassada a ele, no esquema, seria de R$ 2,3 milhões.
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