Os custos de produção da soja, do milho e do algodão seguem pressionando o orçamento dos produtores de Mato Grosso na safra 2026/27, embora o comportamento das despesas varie entre as culturas. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados em boletim semanal, mostram aumento anual dos custos da soja e do milho e uma pequena redução mensal nas despesas do algodão, que mantém elevado o preço necessário para cobrir os gastos operacionais.
Na soja, o custo total projetado chegou a R$ 8.210,31 por hectare em outubro de 2026, alta de 6,96% em relação à safra anterior. No milho, o custo operacional efetivo (COE) alcançou R$ 5.508,23 por hectare, avanço anual de 14,61%. Já no algodão, o COE foi estimado em R$ 15.239,62 por hectare, com recuo de 0,07% na comparação mensal.
Os números mostram que a análise da rentabilidade vai além da variação dos custos. No milho, por exemplo, a receita bruta estimada supera o desembolso operacional efetivo, mas não cobre o custo operacional total, que inclui depreciações e pró-labore. Na cotonicultura, o preço necessário para pagar as despesas operacionais efetivas atingiu o maior patamar desde a safra 2022/23.
O comportamento dos preços de venda, os níveis de produtividade e o controle das despesas serão determinantes para o resultado financeiro das três atividades ao longo do próximo ciclo.
A pressão sobre os custos da soja está relacionada, principalmente, às despesas com a condução das lavouras. As operações mecanizadas tiveram aumento de 23,85% entre as safras 2025/26 e 2026/27, movimento que o Imea associa aos reflexos dos conflitos no Oriente Médio. Os defensivos agrícolas também encareceram, com alta de 10,10%.
Na avaliação do orçamento da próxima safra, a redução de 21,96% no preço das sementes foi um dos poucos fatores que ajudaram a conter a elevação das despesas. Ainda assim, o efeito não foi suficiente para neutralizar a pressão dos demais componentes.
O cenário exige atenção também pelo lado da produtividade. Os riscos associados ao El Niño podem afetar o rendimento das lavouras e, consequentemente, o volume disponível para comercialização. Com despesas maiores, uma produção menor pode limitar a receita obtida por hectare.
Nesse contexto, a comercialização ganha peso no planejamento da safra. A combinação entre custo elevado e possível redução de produtividade torna o preço recebido pela soja um fator importante para a composição do resultado econômico do produtor.
No milho, a principal questão está na diferença entre o faturamento previsto e o custo necessário para manter a atividade. A receita bruta estimada para a safra 2026/27 é de R$ 5.824,88 por hectare, considerando a produtividade de 119,64 sacas por hectare e o preço médio de R$ 48,69 por saca registrado em setembro.
Embora esse faturamento seja suficiente para cobrir o custo operacional efetivo, a situação muda quando são incluídas as depreciações e a remuneração do produtor pelo trabalho na propriedade. Com esses componentes, o custo operacional total chega a R$ 6.070,09 por hectare, superando a receita projetada.
A diferença evidencia que cobrir as despesas diretamente ligadas à produção não significa necessariamente obter rentabilidade. Mesmo com a receita acima do COE, o resultado estimado fica negativo quando considerado o custo operacional total.
O Imea alerta que a margem pode sofrer pressão adicional caso a produtividade fique abaixo da expectativa ou o preço de venda recue. Para o produtor, acompanhar esses dois fatores será importante para avaliar os riscos financeiros e definir a estratégia de comercialização do cereal.
Na cotonicultura, a pequena redução mensal dos custos não alterou o patamar de preço necessário para pagar as despesas operacionais. O valor mínimo calculado pelo Imea para cobrir o COE chegou a R$ 119,61 por arroba, considerando a produtividade média projetada de 127,41 arrobas por hectare.
Esse nível de preço é o mais alto registrado para o indicador desde a safra 2022/23. O dado dimensiona o volume de receita que o produtor precisa obter com a comercialização da pluma para fazer frente aos desembolsos operacionais, mesmo após o recuo observado entre agosto e setembro.
A composição das despesas ajuda a explicar por que a redução foi limitada. A queda nos gastos com defensivos foi parcialmente compensada pelo avanço dos custos de operações mecanizadas (+1,09%) e de arrendamento (+1,59%), dois itens que continuam pressionando o orçamento da cultura.
Diante desse cenário, o controle dos gastos e o planejamento das vendas permanecem centrais para a gestão da atividade. A evolução dos preços recebidos pela pluma será determinante para verificar se a receita obtida na safra será suficiente para cobrir os custos operacionais e preservar as margens do cotonicultor.
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