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Ceema: Milho despenca em chicago e atinge menor cotação desde agosto com aumento da safra nos EUA – MAIS SOJA


A cotação do milho, em Chicago, fechou em US$ 4,78/bushel o dia 15/10 (quinta-feira), contra US$ 5,00 uma semana antes. O atual fechamento do milho foi o mais baixo desde o dia 20/08.

O relatório do USDA apontou uma safra maior do que o esperado para os EUA, com a mesma sendo, agora, estimada em 407,3 milhões de toneladas (cerca de 6 milhões a mais do que o anunciado em setembro), enquanto os estoques finais estadunidenses subiram para 47 milhões de toneladas, ganhando um pouco mais de 6 milhões sobre setembro. Já a produção mundial foi aumentada em 3 milhões de toneladas, alcançando 1,294 bilhão de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais chegaram a 280,4 milhões de toneladas, ganhando 8,3 milhões sobre setembro.

Por outro lado, a colheita do milho estadunidense avançou, alcançando 33% da área no dia 11/10, contra 23% na semana anterior. Apesar do avanço, os trabalhos também permanecem abaixo dos 39% registrados na média dos últimos cinco anos. Também no milho, Iowa chama atenção pelo atraso: o estado tem apenas 14% da área colhida, contra 34% na média histórica. Nebraska registra 27%, frente a uma média de 35%; Minnesota, 25% contra 33%; e Dakota do Sul aparece com 15%, ante 31% na média. Illinois, por outro lado, está mais adiantado, com 51% da área de milho colhida contra 44% na média, enquanto o Missouri registra 64%, ante 61%.

A maturação do milho a colher chegou a 91%, contra 83% na semana anterior, ficando exatamente em linha com a média dos últimos cinco anos. As condições das lavouras apresentaram melhora, e assim 56% foram classificadas entre boas e excelentes, ante 54% na semana anterior. Outros 27% estão em condições regulares, 12% ruins e 5% muito ruins.

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Já os embarques do cereal estadunidense, na semana encerrada em 08/10, atingiram a 1,3 milhão de toneladas, ficando dentro do esperado pelo mercado. No acumulado do ano comercial, os embarques chegam a 8,45 milhões de toneladas, 5% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

E no Brasil, os preços do cereal se mantêm firmes. No Rio Grande do Sul as principais praças continuam praticando R$ 62,00/saco, com a média gaúcha ficando em R$ 62,95/saco. Nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 50,00 e R$63,00/saco. Dito isso, o plantio da nova safra de verão, do cereal, ano 2026/27, chegou a 44% da área prevista para o Centro-Sul do país, no dia 08/10, contra 45% um ano atrás (cf. AgRural). Por sua vez, a maior oferta de milho no mercado mundial está retirando a competitividade do milho brasileiro, fato que desacelera as exportações. No Mato Grosso, segundo o Imea, os embarques estão mais reduzidos na comparação com anos anteriores. Em setembro do corrente ano, o Estado embarcou 2,85 milhões de toneladas, volume 32,1% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025 e 19% abaixo da média dos últimos cinco anos.

No acumulado de julho a setembro, os embarques somaram 7,61 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 21,4% na comparação com o mesmo período da temporada anterior. Nos Estados Unidos, a boa oferta e os estoques elevados têm pressionado as cotações e favorecido a competitividade do cereal local. Já na Argentina, a safra recorde, somada à redução do imposto de exportação (as retenciones), aumentou a disponibilidade para exportação e estimulou as negociações externas. Isso já aparece nos principais destinos do milho mato-grossense: o Egito adquiriu 1,97 milhão de toneladas, queda de 3,85%; o Irã, 739.000 toneladas (-29,30%); e a Espanha, 710.000 toneladas (-29,94%). “Caso os embarques nos próximos meses repitam os volumes observados no ciclo anterior, Mato Grosso poderia chegar a aproximadamente 21 milhões de toneladas exportadas até janeiro.

Nesse cenário, ainda seriam necessárias cerca de 3 milhões de toneladas para serem escoadas entre fevereiro e junho de 2027, para que assim Mato Grosso alcance a projeção de 24,1 milhões de toneladas exportadas na temporada. O volume seria elevado para o período, que historicamente registra embarques de até  aproximadamente 2 milhões de toneladas. Sem um aumento de outros componentes da demanda, o milho que não for exportado tende a permanecer no estado, elevando os estoques finais e aumentando a pressão sobre a armazenagem”.

De forma geral, as exportações brasileiras de milho começaram outubro sem entusiasmar. Nos sete primeiros dias úteis do mês, o Brasil exportou 1,73 milhão de toneladas do cereal, segundo dados divulgados pela Secex. A média diária ficou 16,3% abaixo do registrado em outubro de 2025. Com isso, permanece o desafio para o programa brasileiro de exportações nos próximos meses. O país precisaria embarcar aproximadamente 6 milhões de toneladas em novembro, outros 6 milhões em dezembro e cerca de 5 milhões em janeiro para alcançar 38 milhões de toneladas exportadas no ciclo (cf. Agrinvest)

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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