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Mauro Mendes transfere votos para Virginia, mas ex-secretários fracassam nas urnas


Ex-primeira-dama recebeu mais de 100 mil votos na primeira eleição, enquanto quatro secretários tiveram desempenho bem abaixo da expectativa

A influência política do ex-governador e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) mostrou resultados distintos na eleição de 2026. Se, por um lado, ajudou a impulsionar a candidatura da ex-primeira-dama Virginia Mendes (União Brasil) à Câmara dos Deputados, por outro, não foi suficiente para garantir a eleição da maioria dos ex-secretários estaduais que disputaram o pleito.

Em sua primeira candidatura, Virginia recebeu mais de 102 mil votos válidos e conquistou uma vaga na Câmara Federal. O desempenho a colocou em posição competitiva diante de parlamentares experientes que conseguiram a reeleição, como o coronel Assis (PL), com mais de 128 mil votos, e Fábio Garcia (União Brasil), que ultrapassou os 139 mil.

Para o cientista político João Edisom, o resultado de Virginia demonstra a capacidade de Mauro Mendes de transferir capital político, embora esse efeito não tenha se reproduzido de maneira uniforme entre os integrantes de seu antigo governo.

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“Se a Virginia fosse outra candidata comum, sem o passado de ex-primeira-dama, não conseguiria os 100 mil votos, porque é muito difícil receber esse número de votos. Então, Mauro conseguiu ajudar a eleger uma pessoa por influência. O próprio Fábio Garcia tirou pouco proveito disso”, avalia.

Segundo João Edisom, a diferença está na exposição pública acumulada ao longo dos anos de governo. Virginia e Fábio Garcia, em razão das posições que ocupavam e da proximidade com Mauro Mendes, apareciam frequentemente ao lado do então governador em cerimônias, compromissos oficiais e eventos públicos.

Os ex-secretários, por sua vez, tinham menor visibilidade e encontraram dificuldades para associar suas candidaturas à imagem do ex-governador durante o período eleitoral. O tempo de campanha, na avaliação do cientista político, não foi suficiente para compensar a falta de reconhecimento público acumulada anteriormente.

“Os secretários apareciam em um evento ou outro, mas eram pouco conhecidos. Durante a campanha, não vimos esses candidatos juntos com Mauro Mendes. Quem estava sempre junto com ele nos atos eleitorais? A Virginia. Ela foi vista como uma figura familiar”, afirma.

Ex-secretários ficam longe das urnas

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O desempenho dos antigos integrantes do primeiro escalão estadual confirma as dificuldades de transformar experiência administrativa em votos. Cinco ex-secretários não conseguiram votação suficiente para se eleger, e nem mesmo nomes que comandaram pastas de grande visibilidade, como Saúde e Educação, ultrapassaram a marca de 25 mil votos.

O ex-secretário de Saúde Gilberto Figueiredo (Republicanos) teve desempenho inferior ao registrado em 2022. Naquela eleição, recebeu cerca de 28 mil votos válidos. Em 2026, sua votação caiu para pouco mais de 10 mil.

Allan Porto (Republicanos), que comandou a Secretaria de Estado de Educação, obteve aproximadamente 24 mil votos, resultado insuficiente para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa, restando-lhe a condição de suplente.

A dificuldade também atingiu ex-secretários de áreas menos expostas ao público. Allan Kardec (Podemos), que buscava retornar à Assembleia Legislativa, recebeu pouco mais de 15 mil votos válidos.

Já Fernando Japidinho (Republicanos), candidato a deputado federal, teve um dos resultados mais modestos entre os antigos integrantes do governo: aproximadamente 4 mil votos.

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Os números indicam que ocupar uma secretaria estadual não garante, por si só, reconhecimento eleitoral. Mesmo com a experiência na administração pública e a associação ao governo de Mauro Mendes, os candidatos precisavam superar o desconhecimento do eleitorado e construir uma identidade política própria.

Coronel Roveri foge à regra

O único ex-secretário a romper essa tendência foi o coronel Roveri (Podemos), eleito deputado federal com aproximadamente 47 mil votos.

À frente da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Roveri ganhou projeção durante o governo Mauro Mendes, sobretudo a partir do fim de 2023, quando foi lançado o programa Tolerância Zero ao Crime Organizado.

Sua atuação na área de segurança pública proporcionou uma exposição que o diferenciou de outros integrantes do antigo primeiro escalão. Em vez de depender exclusivamente da associação à imagem do ex-governador, Roveri construiu reconhecimento próprio a partir de uma pauta de forte repercussão pública.

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O resultado ajuda a compreender os limites da transferência de votos: a proximidade com um líder político pode favorecer uma candidatura, mas não substitui a visibilidade pessoal, a identificação com temas de interesse do eleitorado e a capacidade de transformar a atuação pública em reconhecimento nas urnas.

agro.mt

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