O mercado brasileiro de soja seguiu travado nesta quinta-feira (8), com poucas alterações nas cotações e ausência de ofertas firmes no mercado físico. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, ressalta que os participantes permanecem afastados das negociações, enquanto a distância entre compradores e vendedores continua elevada.
Na Bolsa de Chicago, as cotações registraram queda, enquanto o dólar apresentou volatilidade e os prêmios permaneceram praticamente estáveis. Apesar desses movimentos, o mercado físico seguiu sem mudanças estruturais, com a comercialização limitada.
“O produtor está focado no plantio e, com as chuvas recentes, tem buscado acelerar os trabalhos no campo”, observa Silveira. Segundo o analista, o spread entre compradores e vendedores permanece alto, mantendo os negócios travados.
Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca permaneceu em R$ 154,00. Em Rio Grande (RS), as referências recuaram de R$ 157,00 para R$ 156,50.
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira com preços mais baixos para o grão e o farelo, enquanto o óleo registrou alta. O mercado estendeu as perdas da sessão anterior, pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos.
A perspectiva de um relatório negativo de oferta e demanda, que será divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), também influenciou negativamente os negócios. As exportações semanais norte-americanas, consideradas modestas, completaram o quadro de pressão sobre as cotações.
As exportações líquidas norte-americanas de soja referentes à temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, ficaram em 549.400 toneladas na semana encerrada em 1º de outubro. A China liderou as compras, com 382.900 toneladas. Analistas esperavam exportações entre 450 mil e 1,2 milhão de toneladas. As informações foram divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Analistas consultados pelas agências internacionais indicam que a produção de soja dos Estados Unidos na safra 2026/27 deverá ficar em 4,541 bilhões de bushels. Em setembro, a previsão era de 4,535 bilhões de bushels.
Em relação aos estoques de passagem, o mercado aposta em 311 milhões de bushels, contra 310 milhões indicados em setembro.
No quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais de 123,8 milhões de toneladas para 2026/27, abaixo dos atuais 124 milhões de toneladas. Para 2025/26, o USDA deverá reduzir sua estimativa de 125,3 milhões para 125,2 milhões de toneladas.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com baixa de 5,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,42%, a US$ 12,97 1/2 por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 13,14 1/2 por bushel, recuo de 4,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,36%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 5,20 por tonelada, ou 1,42%, a US$ 360,70 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 67,62 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,20 centavo, ou 0,29%.
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,20%, negociado a R$ 5,0243 para venda e a R$ 5,0223 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0003 e a máxima de R$ 5,0268.
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