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a estratégia de uma gigante do processamento de tomate


A produção de tomate em escala industrial exige mais do que uma boa lavoura. Para garantir matéria-prima com características específicas e em volume suficiente, a estratégia envolve desde a escolha da semente até a chegada do fruto à fábrica.

É nesse processo que duas frentes ganharam espaço nos últimos anos: tecnologia e parceria com produtores. Segundo o CEO da Kraft Heinz, Ariel Grunkraut, os investimentos ajudaram a empresa a reduzir a dependência da importação de pasta de tomate e alcançar a autossuficiência na produção do insumo no Brasil.

A mudança foi construída ao longo dos últimos anos e envolve também o desenvolvimento de variedades adaptadas às diferentes condições de cultivo.

Escolha da semente começa antes do plantio

O tomate é uma cultura sensível e, segundo Grunkraut, a escolha do híbrido precisa considerar as condições específicas de cada área.

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“Cada região, cada área trabalha com tipos diferentes de sementes, dependendo do período do ano que você vai plantar, quanto de chuva vai ter, quanto de seca, um pouco mais alto, um pouco mais baixo, vai ser um pouco mais frio, um pouco mais calor”, afirmou.

No Brasil, a empresa tem atualmente mais de 150 tipos diferentes de sementes à disposição da equipe de agricultura, de acordo com o executivo. A escolha do material utilizado em cada área é feita em conjunto com os produtores parceiros.

A companhia também conta, segundo Grunkraut, com uma empresa de tecnologia na Califórnia voltada ao desenvolvimento de sementes.

No país, a operação trabalha com cerca de 5 mil hectares nas culturas de tomate, milho e pepino. Aproximadamente metade dessa área, 2,5 mil hectares, é destinada ao tomate.

A produção envolve cerca de 15 parceiros, conforme os números apresentados pelo CEO. Um deles é o produtor Fábio Alves, que cultiva mais de 400 hectares de tomate e espera colher cerca de 130 toneladas por hectare nesta safra.

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Para o produtor, o fornecimento de sementes e mudas faz diferença no dia a dia da lavoura. Segundo Alves, receber as mudas já produzidas pelo viveiro facilita o trabalho no campo.

“A Heinz tem a semente e a muda já vem do viveiro pra gente. É uma tranquilidade”, afirmou.

Clima é um dos principais desafios

Apesar dos avanços em tecnologia e manejo, o clima continua entre as principais preocupações de quem está no campo. Alves chama atenção para o risco de chuvas durante a colheita, já que o tomate é cultivado diretamente no solo.

“Esse ano já começou a vir chuva mais cedo, né? A gente já tem essa certa preocupação porque, como você vê, o fruto tá no chão, literalmente no chão. E se com chuva dificulta a colheita”, disse.

Segundo o produtor, a disponibilidade de produtos defensivos específicos para a cultura também contribui para dar mais segurança à condução da lavoura.

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Tomate precisa chegar rápido à indústria

Depois da colheita, o tempo passa a ser outro fator importante. Segundo Grunkraut, o tomate precisa chegar à fábrica em menos de seis horas.

Na unidade de Nerópolis (GO), a empresa recebe, em média, 100 caminhões de tomate por dia.

A velocidade é parte de um processo que começa ainda no campo e termina na seleção da matéria-prima utilizada na indústria. No caso do tomate destinado ao ketchup Heinz, o executivo citou critérios como cor, teor de açúcar e viscosidade.

“A gente tem muita clareza: para fazer o melhor ketchup do mundo, a gente tem que ter o melhor tomate do mundo”, afirmou.

Fábrica da Kraft Heinz em Nerópolis (GO) recebe, em média, 100 caminhões de tomate por dia (Foto: Evandro Bueno)

R$ 1 bilhão em investimentos

A busca por uma maior oferta de matéria-prima nacional também passou por investimentos em tecnologia, processos e estrutura industrial.

Segundo Grunkraut, foram mais de R$ 1 bilhão investidos nos últimos cinco anos nessas frentes. O objetivo, de acordo com ele, foi reduzir a dependência da importação de pasta de tomate e ampliar a produção no Brasil.

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Quando a empresa começou a ampliar a presença da marca Heinz no país, há cerca de dez anos, parte da pasta utilizada precisava ser trazida da Califórnia, segundo o CEO.

O cenário mudou em 2025, quando, pela primeira vez, toda a pasta de tomate Heinz utilizada no Brasil foi produzida nacionalmente.

Mais produção sem ampliar a área

A evolução não ocorreu apenas pela expansão da área cultivada. Segundo Grunkraut, a companhia vem aumentando o volume produzido sem ampliar proporcionalmente a área utilizada.

Para a safra atual, a empresa estima produzir 15% mais tomate, praticamente com a mesma área do ano anterior. O executivo também afirmou que houve redução no consumo de água ao longo desse processo.

Hoje, a produção brasileira destinada à empresa chega a aproximadamente 5 bilhões de tomates por ano, de acordo com os números apresentados por Grunkraut.

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Para ele, o aumento da oferta nacional também abriu espaço para o desenvolvimento de produtos no país. O executivo citou o extrato de tomate e o ketchup zero açúcar, lançados nos últimos meses.

No caso do ketchup zero, a retirada do açúcar exigiu uma mudança na formulação. Grunkraut explica que foi necessário aumentar a quantidade de tomate para compensar a perda de consistência provocada pela retirada do ingrediente.

“Quando você tira o açúcar, você perde um pouco de consistência. A gente teve que adicionar muito mais tomate Heinz para poder criar o ketchup zero”, explicou.

Do campo à prateleira

Para quem está na lavoura, a relação com a cultura vai além dos números de produção. Alves resume em uma palavra o que o tomate representa para ele: “alegria”.

O produtor também diz que é prazeroso encontrar no supermercado um produto feito com o tomate que saiu da própria propriedade.

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“A gente viaja e, quando chega numa mesa com os amigos, a primeira coisa que eu vou olhar é qual produto tem ali. Quero saber se é o nosso”, contou.

agro.mt

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