Mesmo com oscilações nos preços da cesta básica observadas nas últimas semanas, Cuiabá encerrou o mês de setembro com alta de 1,41%, e o valor médio chegou a R$ 902,15. O levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) também mostrou aumento no comparativo anual: a média atual ficou 16,13% maior que os R$ 776,83 registrados em 2025.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), destacou, ainda, a dificuldade das famílias para adquirir produtos considerados essenciais à subsistência de até quatro pessoas.
“Mesmo com algumas reduções semanais da cesta básica, a comparação anual indica que o consumidor ainda enfrenta um custo significativamente maior para adquirir os mesmos produtos, mantendo a pressão sobre o orçamento das famílias. São mais de R$ 125 de diferença no comparativo anual, com determinados produtos encarecendo acima dos três dígitos em relação ao ano anterior.”
O tomate segue entre os produtos com maior variação. Desta vez, voltou a subir de preço, com acréscimo semanal de 6,40% e preço médio de R$ 11,69/kg. Além disso, o valor atual está 142,57% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo análise do IPF-MT, o clima chuvoso nas principais lavouras segue afetando o ritmo das colheitas, prejudicando a qualidade e a maturação do fruto e restringindo a oferta, o que pode ter levado à alta observada.
Outro produto em destaque é o óleo de soja, que apresentou aumento semanal de 4,66% e alcançou o valor médio de R$ 8,91 por 900 ml. Mesmo com o crescimento observado na semana, o item está 1,81% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Conforme avaliação do instituto da Fecomércio-MT, a variação também pode estar relacionada à restrição de oferta, uma vez que o aumento das exportações e as incertezas acerca da safra futura elevaram os estoques do produto. Tal condição pode ter reduzido a quantidade destinada à produção de óleo, provocando o aumento observado.
A batata também apresentou forte variação na semana, mas em sentido de queda. O produto registrou nova baixa de 2,45% e chegou ao preço médio de R$ 7,21/kg. Para o IPF-MT, as principais lavouras seguem com estabilidade climática, o que mantém o ritmo da colheita e eleva a quantidade disponível. Tal condição pode ter contribuído para a redução do preço.
Ainda assim, o preço atual segue 125,40% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
Para o IPF-MT, a disparidade entre as variações dos produtos reforça a heterogeneidade do mercado de alimentos, no qual ciclos de produção, condições climáticas e disponibilidade determinam trajetórias distintas de preços.
Disponibilidade do café e do leite segue caminhos distintos
A oferta de produtos também impacta o consumo de café com leite das famílias. A maior disponibilidade de leite no mercado, com alto índice de captação, pressionou os preços para baixo. O produto recuou 0,13% na semana e chegou ao preço médio de R$ 7,29 por litro.
A mesma questão pode ser observada no café. Mesmo seguindo em queda na comparação com os valores de 2025, o produto apresentou alta semanal de 1,73%, em razão das condições do mercado internacional e das incertezas acerca da safra futura. O item segue com preço médio de R$ 27,85 por pacote de 500 gramas.
O Sistema Comércio de Mato Grosso é integrado pela Fecomércio-MT, Sesc-MT e Senac-MT e é filiado à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.
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