Foi divulgado nesta sexta-feira (25/09), pela Assessoria Econômica da Farsul, os Índices de Inflação dos Custos de Produção (IICP) e dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) referentes a agosto de 2026. O resultado indicam importantes sinais de virada de cenário para o campo gaúcho, impulsionados principalmente pelo avanço expressivo no preço do arroz e pela recuperação dos valores pagos aos agricultores.
O grande destaque do mês foi o IIPR, que registrou uma alta expressiva de 5,56%. Com esse resultado, o índice engata a terceira alta consecutiva e retorna ao campo positivo no acumulado de 12 meses, atingindo 4,04%, a primeira taxa positiva desde abril de 2025.
Outro marco apontado pelo relatório é que o IIPR superou o IPCA de Alimentos (3,53%) pela primeira vez em 26 meses. Apesar do alento, a equipe econômica da Farsul pondera que se trata de uma recuperação a partir de uma base bastante deprimida. Em um horizonte de dois anos, o preço recebido pelo produtor ainda acumula queda de 4,8%, enquanto os alimentos pagos pelo consumidor final subiram 11,2% no mesmo período.
Os motores da alta
Entre os produtos que lideraram a alta no campo em agosto, o arroz disparou 16,1% no mês, um ritmo muito acima do padrão sazonal do período. Com isso, o cereal acumula alta de 40,6% no ano, refletindo a precificação do mercado diante de uma expectativa de menor oferta para a próxima safra.
A soja (4,1%) e o leite (2,5%) também registraram avanços importantes, ao passo que o boi gordo renovou o seu patamar nominal recorde. Na contramão, a suinocultura recuou 6,2% no mês devido a um cenário de excesso de oferta no mercado.
Custos de produção em alerta
Do lado dos custos, o IICP subiu 0,24% em agosto, interrompendo uma sequência de duas quedas mensais consecutivas. O índice veio abaixo do padrão histórico para o mês, puxado por despesas ligadas diretamente aos preparativos para a safra, como sementes e royalties (2,9%), irrigação (6,1%) e fungicidas (3,6%). Os fertilizantes e o diesel recuaram no período, contrariando a sazonalidade típica.
No acumulado de 12 meses, o IICP acelerou para 1,65%, com os fertilizantes respondendo isoladamente por 1,39% dessa alta.
Apesar da modéstia na variação mensal dos custos, a Assessoria Econômica da Farsul faz um alerta estratégico para os próximos meses. As recentes altas internacionais no preço do petróleo devem impactar o mercado de fertilizantes. Além disso, o preço do diesel no mercado interno (situado abaixo do custo de importação) tende a sofrer correções em breve, o que deve pressionar diretamente os custos de frete e das operações mecânicas nas lavouras gaúchas.
Confira o relatório completo.
Fonte: Farsul
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