As cotações do milho ensaiaram uma reação neste último mês, saindo de US$ 5,10/bushel no dia 27/08 para US$ 5,43 no dia 21/09. Posteriormente, o mercado cedeu um pouco, com o bushel fechando a quinta-feira (24) em US$ 5,26, contra US$ 5,30 uma semana antes. Por sua vez, a média de agosto fechou em US$ 4,69/bushel, sendo ela 5,6% superior à média de julho.
O mercado externo do milho acusa pouca alteração diante de uma comprovada redução na safra dos EUA, cuja colheita já iniciou. O relatório do USDA, do dia 11/09, apontou uma produção final estadunidense em 401,3 milhões de toneladas, ficando ela 5,4 milhões de toneladas abaixo da projeção de agosto e 31 milhões abaixo da produção registrada no ano anterior. Já os estoques finais estadunidenses, para o ano 2026/27, ficariam em 39,8 milhões de toneladas, perdendo dois milhões em relação ao indicado em agosto.
A produção mundial ficaria em 1,290 bilhão de toneladas, sendo oito milhões de toneladas a menos do que o indicado em agosto. E os estoques finais mundiais atingem 272,1 milhões de toneladas, perdendo 2,5 milhões em relação a agosto.
Dito isso, a colheita do milho, nos EUA, atingia a 13% da área no dia 20/09, contra 11% na média histórica. Já os embarques semanais de milho, por parte dos EUA, na semana encerrada em 17/09, atingiram a 1,9 milhão de toneladas, superando o esperado pelo mercado. Este volume semanal foi o maior para esta semana nos últimos 44 anos. Japão e México responderam, juntos, por 58% do milho embarcado na semana indicada Em tal contexto, e mesmo diante das turbulências externas, é a pressão da colheita estadunidense que vem impedindo de as cotações do milho subirem mais.
O mercado, agora, acompanha se o clima nas regiões produtoras não venha atrapalhar a colheita estadunidense. Isso porque, segundo o USDA, o consumo mundial do cereal poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas em 2026/27.
E no Brasil, os preços internos também melhoraram, com as principais praças gaúchas trabalhando com R$ 61,00/saco, enquanto as demais regiões do país praticaram valores entre R$ 51,00 e R$ 66,00/saco.
Por enquanto, a exportação brasileira ainda enfrenta problemas no ritmo de negócios, pois os preços nacionais são menos competitivos do que os dos correntes. Espera-se que para meados de outubro a situação melhore. Isso porque, assim como no cenário mundial, o quadro nacional é de uma demanda firme, diante de uma oferta em recuo. Mas, a reação, se houver, não será linear, pois o mercado mundial precisa absorver a entrada da safra dos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro acompanha o ritmo das exportações, o câmbio, a demanda interna e, principalmente, a disposição de venda dos produtores. Mesmo assim, se espera uma melhoria nos preços internos do cereal neste restante do segundo semestre. Tanto é verdade que, na B3, os contratos para o primeiro semestre de 2027 estão rondando os R$ 80,00/saco. Pelo sim ou pelo não, outubro será decisivo para dar uma direção ao mercado mundial e nacional do milho.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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