Categories: Business

DDG muda manejo e aumenta eficiência da pecuária, avalia diretor da Acrimat


Foto: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

O uso do DDG na alimentação bovina está mudando o manejo da pecuária e aumentando a capacidade de produção na mesma área. O coproduto do etanol de milho passou a ter uma função mais importante na dieta dos animais e permite reduzir a dependência do pasto.

A mudança é observada principalmente na recria e na terminação intensiva a pasto. Nesse sistema, o gado permanece na área de pastagem e recebe a alimentação no cocho, o que permite aumentar a quantidade de animais mantidos na propriedade.

Para o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, o DDG passou a ter um efeito diferente na produção. “Hoje ele já tem um efeito substitutivo. Ou seja, no lugar onde cabia um animal, hoje você põe dois, você põe três, você põe quatro, você põe cinco se você usar esses produtos”.

A utilização do coproduto também mudou a forma de conduzir a recria e a terminação. A alimentação concentrada permite trabalhar com maior intensidade sem necessariamente levar os animais para uma estrutura convencional de confinamento.

Advertisement
Foto: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

DDG amplia possibilidades de intensificação

O DDG possui diferentes níveis de proteína e energia, além de outros componentes que podem ser considerados na formulação da dieta. A utilização do coproduto também trouxe uma alternativa para sistemas que buscam intensificar a produção sem retirar o gado da pastagem.

Manzi destaca, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, que esse modelo ganhou espaço com a possibilidade de fornecer a alimentação diretamente no pasto. “Em vez de você trazer o boi, fechar numa área pequena, e ali você realmente tem que fazer silagem, utilizar o volumoso, você vai lá no pasto onde ele já está, coloca o cocho e leva a ração para ele lá”.

Outro efeito está na necessidade de processamento do milho. Dependendo do sistema adotado, o produtor pode deixar de realizar a trituração do grão para a alimentação do gado. “Outra coisa interessante do DDG é que você aposenta o triturador de milho, que é uma operação cara, demanda energia elétrica”.

A expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso aumenta a disponibilidade desses coprodutos para os sistemas pecuários. Para o diretor técnico da Acrimat, a utilização do DDG também reforça a integração entre agricultura e pecuária, mesmo quando o pecuarista não produz os grãos utilizados na alimentação.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Pecuária passa por mudança de modelo

A intensificação ocorre em um momento de mudança na própria forma de conduzir a atividade. Durante muito tempo, a pecuária foi considerada uma produção de baixo risco e também funcionou, para muitos produtores, como uma espécie de poupança.

Esse cenário, porém, exige outra postura do pecuarista. “Hoje não tem mais espaço para amador. Hoje a pecuária você chega, você tem que ter conhecimento sobre a atividade e você também tem que saber os seus próprios custos”.

A avaliação de Manzi é que uma pecuária eficiente pode apresentar resultados competitivos em relação à agricultura.

Advertisement

O tempo necessário para obter retorno, no entanto, continua sendo uma diferença importante. Enquanto soja e milho têm ciclos mais curtos, a pecuária exige um período maior entre a reprodução e a venda do animal terminado.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crédito ainda é desafio para atividade de longo prazo

O ciclo mais longo também pesa no acesso ao crédito. Na agricultura, o financiador consegue visualizar em menos tempo o momento em que o produtor colherá e terá receita para quitar o investimento. Já na pecuária, o intervalo é maior. Entre a reprodução, o nascimento, a desmama, a recria e a terminação, o ciclo completo pode se aproximar de quatro anos.

Durante muito tempo, essa característica fez com que o pecuarista dependesse principalmente de recursos próprios. A atividade também acabou sendo usada como reserva patrimonial, com a formação do rebanho ocorrendo aos poucos.

A intensificação muda essa dinâmica ao permitir que o produtor busque mais produção dentro da área que já possui. Um exemplo citado por Manzi, durante o programa do Canal Rural Mato Grosso, é de uma propriedade no Vale do Paraíba, em São Paulo, que passou de uma para cinco vacas por hectare.

A propriedade, de acordo com ele, utiliza agricultura e pecuária de forma integrada, com produção de milho, soja e sorgo, além de silagem e alimentação no cocho. As vacas são inseminadas e os animais seguem um sistema intensivo desde o nascimento até o abate, entre 17 e 18 meses.

Para Manzi, experiências como essa mostram que a transformação da pecuária ainda está no início. “Eu acho que nós estamos só começando”.

Advertisement

+Confira mais entrevistas do programa Direto ao Ponto

+Confira outras entrevistas do Programa Direto ao Ponto em nossa playlist no YouTube


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post DDG muda manejo e aumenta eficiência da pecuária, avalia diretor da Acrimat apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

agro.mt

Recent Posts

Polícia estoura cativeiro em Sinop no momento em que facção ordenava execução de vítima por telefone

Homem foi encontrado amarrado com fios e ferido em casa no Jardim Botânico. Força Tática…

3 minutos ago

Pesquisa da Síntese Agro Science identifica bactéria capaz de reduzir em 67,8% nematoide que ataca raízes da soja – MAIS SOJA

A Síntese Agro Science, empresa brasileira de biotecnologia aplicada ao agronegócio, identificou uma bactéria com…

28 minutos ago

Bombeiros retiram moradores que tentavam apagar incêndio com baldes d’água em Primavera do Leste

Fogo começou em um dos quartos e atingiu a rede elétrica da casa. Ação rápida…

38 minutos ago

Polêmica do STF domina debate de candidatos ao Senado por Mato Grosso

Concorrentes propuseram mudanças em leis e tentaram associar os adversários às circunstâncias do ministro Alexandre…

1 hora ago

A largada para a safra de soja 2026/2027: o desafio de plantar com margens apertadas e mudanças de tempo – MAIS SOJA

Por Gustavo Rocha* Com a chegada de setembro e o fim oficial do período de…

1 hora ago

Fachin recua e retira de pauta julgamento contra André Mendonça no STF

Presidente da Corte suspendeu a análise após pedido de vista de Flávio Dino travar o…

2 horas ago