Francamente!
Como apreciador do português, impressiono-me com a incapacidade do brasileiro para com a leitura, a interpretação de texto e a definição de termos.
Como apreciador do português – agora, do povo – percebo que há, também, dificuldade na presunção da inocência – e o que os portugueses têm a ver com isso? Simples: note como alguns brasileiros culpam os nossos colegas de língua do além-mar pelas nossas mazelas devido à colonização.
Mas por que escrevo isso? Simplesmente para defender certas pessoas que saíram em notícias abjetas na mídia por esses dias. O que estão fazendo com esses pobres coitados é um acinte – e tudo por pura burrice. Vou citar aqui apenas dois ou três exemplos de como o mau entendimento da língua portuguesa pode arruinar a cândida imagem de alguém ou alguéns.
Lembremo-nos, inicialmente, do surgimento de boatos sobre um banqueiro que, por algum motivo básico ou outro, acabou se dando muito mal e foi preso. Fofocas também dizem que, com seu poderio e seu dinheiro infinito, conseguia manipular altos escalões administrativos do país. Bufoneria, mas até aí tudo bem.
Problema: pegaram alguma de suas conversas por aplicativos, o que deixou seus contatos em maus lençóis, como “o” “Alan da TI” (na verdade, é provável que essa pessoa tenha ficado em “bons” lençóis, de linho ou de tecido ainda mais nobre, perfumados e limpíssimos por um período de tempo).
Numa dessas conversas do banqueiro, apareceu uma entusiasmada mensagem de um Procurador articulando com o empresário e agora presidiário uma viagem a Londres:
“Espero que tenha charuto e Macallan!”
Primeira vítima.
Metidos a detentores da verdade e radicais políticos opositores ao atual governo disseram que esse tipo de fumo pode custar caro e que o Macallan, renomado whisky escocês, definitivamente custa caro. Mas quem pode dar certeza absoluta de que era a esses produtos que o funcionário público citado se referia?
“Charuto” pode ser um termo que remete a um instrumento cilíndrico de folhas secas usado para fumar tabaco. Podem custar de 20 a milhares de reais. De fato, há charutos que custam milhões de reais. Porém, há também charutos de uva, prato típico da culinária árabe, que poderia custar irrisórios 10 reais a unidade.
E o Procurador não parece ter tanta gula. Provavelmente, ficaria com apenas um ou dois exemplares.
Já a alcunha “Macallan”, como já dito, é atribuído a uma bebida que pode custar de 750 a quase cinco mil reais. Supondo que seja isso mesmo, já não seria uma quantia tão exorbitante (750 reais divididos por 200 milhões de brasileiros é igual a 0,00000375 reais por cabeça tupiniquim). Mas pode ser um mero nome de algum amigo que há muito a autoridade não via – e sabemos que a saudade é um sentimento muito forte. Pode ser uma homenagem à própria bebida ou, talvez, esse parceiro do jurista tenha nascido anos 90 e tentaram chamá-lo de “Macaulay”, em homenagem ao um ator mirim da época, mas não sabiam a grafia correta, assim como conhecemos muitos “Waldisney” por aí.
Enfim, presunção de inocência sempre. Vamos para o próximo caso.
Um dos membros mais importantes de Brasília juntamente ao genro de um saudoso comunicador brasileiro apareceram no histórico do aplicativo do banqueiro combinando uma festa privada e, no caso, perguntavam com ávida curiosidade:
“As suíças estarão lá?”
Segunda vítima – ou grupo de vítimas, visto que a esposa de um deles pode ter interpretado errado também, apesar de seu pai, o apresentador falecido supracitado, ter dado o melhor da educação para a mulher.
Vergonhosamente, os inimigos do governo atribuíram a palavra “suíças” a, pasme, prostitutas europeias. Nem Tolkien teria tanta criatividade assim! Nós, porém, que acreditamos na inocência de cada ser humano, sabemos que “suíças” é um termo usado para um jeito de se usar pelos faciais – deixa-se a barba crescer apenas nas laterais do rosto, entre o canto da mandíbula e a orelha, mais ou menos. Esse estilo foi imortalizado por Carl Barks (não Karl Marx!) no personagem Tio Patinhas, da Disney.
E mesmo se não fosse esse o caso, uma dessas profissionais citada malignamente pela perigosa oposição não deve cobrar mais de cinco mil por seus serviços, o que daria cerca de 0,000025 reais por brasileiro.
E o tal líder político não parece ter tanta disposição. Provavelmente, ficaria com apenas um ou dois exemplares.
Curiosamente, outros membros da cúpula geral de Brasília também parecem gostar desse estilo de barba, pois supostamente 20 deles participaram de um evento com 120 suíças. Se cada um usasse duas suíças, uma para cada lado do rosto, seriam 40. Faltariam 80 para o total. Devem ter contado com os cabelos no rosto da equipe tanto da festa quanto do Swedish House Mafia, grupo musical contratado para garantir mais entretenimento no evento – mas nunca vi seus membros aderirem a essa “moda”.
Para equilibrar a situação, alguns dos vis rivais desses inocentes também apareceram nas conversas. Por exemplo, um deles cometeu uma aparente transgressão, segundo noticiários, de pedir dinheiro a um banqueiro para fazer um filme. Outro, além de ter dado um apelido carinhoso ao banqueiro, pediu ajuda em relação a investimentos em minério. Já imaginou isso??? Pedir dinheiro e ajuda com investimentos para um banco??? Absurdo!
Confissão do autor: se eu soubesse que suspenderiam as cobranças dos empréstimos por um tempo, também pediria dinheiro a esse banco. Quem sabe, com a quantia suspensa, eu também poderia também desfrutar de um bom fumo e de um bom whisky (infelizmente, não charuto e Macallan, mas Marlboro e Old Parr do camelô).
Escrevo tudo isso com urgência, pois é mister (não “master”) que tenhamos conta da presunção de inocência para com nossos menistros máximos da justiça brasileira, pois as más línguas balbuciam que há conversas desses membros da corte demonstrando uma certa “amizade” para com o banqueiro.
Ah, mas você deve estar pensando: “se esse autor maluco respeita tanto o português, por que cargas d’água escreve ministro de forma errada?”
Brasileiros e sua dificuldade com línguas…
Vamos lá: estou apenas usando recursos linguísticos para ilibar a imagem desses servidores já de antemão. Nesse neologismo misturado com composição, juntei a palavra “ministro” com a palavra “menino” ou “menina”, pois todos ali, presumivelmente, possuem a inocência de uma criança. Isso ajudará a sermos misericordiosos quando e se essas ofensivas chegarem a eles.
Obs: não sou o único a compará-los a infantes. O próprio grupo Swedish House Mafia, na festa com as suíças, possivelmente dirigiu as seguintes palavras de seu maior sucesso aos 20 inocentes presentes:
“Não se preocupe, criança. Veja, o Céu tem um plano para você.”
Luiz Felipe Costa é católico, empresário.
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