A soja está entre as commodities que mais se valorizaram no mercado interno nas últimas semanas. Mesmo com os preços em patamares elevados, o produtor ainda mantém cautela nas vendas antecipadas da safra 2026/27.
A principal preocupação está no clima e nos possíveis impactos do El Niño sobre a produtividade. Diante da incerteza sobre o potencial de produção, o agricultor evita comprometer grandes volumes neste momento, já que os contratos fechados antecipadamente precisam ser cumpridos mais adiante.
Segundo Rafael Silveira, analista de mercado da Safras & Mercado, a questão da produtividade pesa diretamente na decisão do produtor. “Você fica na dúvida se pode fixar contratos com volumes um pouco mais agressivos, porque lá na frente você tem que entregar esse grão”, explica.
Apesar da cautela, as vendas da nova safra avançaram no último mês. O produtor aproveitou os preços mais firmes para garantir parte dos custos e passou a adotar uma estratégia mais seletiva de comercialização.
Desde julho, o mercado rompeu a tradicional sazonalidade de baixa e as cotações ganharam força. A valorização em Chicago trouxe reflexos para a formação dos preços da safra 2026/27 e abriu oportunidades para o produtor.
Nas últimas duas semanas, porém, o ritmo do mercado perdeu força. Parte dos agricultores já considera ter vendido um volume adequado e prefere aguardar novas informações antes de aumentar a exposição.
Agora, o foco se volta para o avanço do plantio e para o comportamento do clima. Paraná já começa a registrar trabalhos em campo, enquanto regiões como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás entram no radar conforme a janela de plantio avança.
Para outubro, as projeções indicam possibilidade de chuvas favoráveis em algumas regiões. A preocupação aumenta a partir de novembro, quando o cenário climático pode ficar mais desafiador.
Esse ambiente coloca o produtor diante de uma decisão difícil. De um lado, existe o risco de vender antecipadamente e depois enfrentar problemas de produtividade. De outro, uma eventual quebra de produção pode reduzir a oferta e abrir espaço para preços ainda mais altos.
O cenário internacional também dá sustentação às cotações. Chicago opera em níveis elevados diante da demanda internacional firme, do ritmo das exportações norte-americanas e das dúvidas sobre o tamanho da safra dos Estados Unidos.
A demanda pela soja brasileira também segue forte e pode continuar aquecida no próximo ano. Para Rafael Silveira, uma eventual redução da oferta brasileira por problemas climáticos poderia provocar uma nova rodada de valorização.
“Se o Brasil tiver de fato uma certa redução na oferta ano que vem justamente por conta de clima, a demanda não tem o porquê de cair.”
Nesse cenário, uma safra menor poderia resultar em preços mais favoráveis para o produtor em 2027. Mas, por enquanto, esse movimento depende do comportamento do clima durante o plantio e ao longo do desenvolvimento das lavouras.
A expectativa de uma produção próxima de 180 milhões de toneladas na safra 2026/27 ainda depende de uma janela climática favorável e de boas condições para o desenvolvimento das lavouras.
Com os preços elevados e as incertezas climáticas no radar, o produtor prefere manter parte da produção fora dos contratos e acompanhar os próximos movimentos do mercado.
O post É hora de vender? Soja sobe forte, mas produtor segura negócios da safra 26/27 apareceu primeiro em Canal Rural.
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