Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), é justamente neste período que a produtividade começa a ser construída, no encaixe entre o que foi planejado e a leitura de campo feita no dia da operação. O vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, resume os dois pontos que concentram a maior parte da atenção nesta virada de calendário.
“A principal coisa que temos que analisar antes de iniciar um plantio é a umidade no solo. Primeiro, para dessecar a área, se ela precisa ser dessecada, se não foi feito um manejo pós-colheita, para começar com a lavoura no limpo. Então, tendo umidade boa no solo, tendo a lavoura já dessecada ou limpa, eu acho que a semente é o principal insumo do plantio. Tem que ter o maior cuidado com ela. Ela deve estar bem tratada, bem armazenada, já para ir para a plantadeira, para plantar”, afirma. O dirigente reforça que a combinação entre esses dois fatores tem efeito prolongado sobre a safra. “A umidade no solo e a semente são as duas coisas que têm que ser observadas com muita atenção pelo produtor, porque, se plantou no solo com pouca umidade, com certeza vai ter problema de germinação. E lá na frente isso pode acarretar em queda de produção”, explica.
A delegada coordenadora Taisa Botton, do Núcleo de Lucas do Rio Verde, descreve a rotina. “O que a gente não abre mão, o que sempre é posto à mesa, é justamente a gente fazer a colheita e, na sequência, já fazer o manejo. O nosso manejo é relativamente extenso, porque temos uma área um tanto quanto mais arenosa, então nós sempre estamos mexendo, já vindo com pós-colheita do milho, ou uma grade, ou um subsolador, dependendo do que a área pede, e na sequência calcário”, relata.
Com as primeiras chuvas registradas, a etapa seguinte já foi acionada. “Quando dão os primeiros pinguinhos de chuva, como aconteceu no último final de semana para nós, já entramos com pré-emergente, para quando efetivamente chover a gente estar com tudo redondinho, a plantadeira revisada, a semente no barracão, o manejo do solo já concluído. São pequenos elos que no final vão fazendo toda a diferença. Muitas vezes a gente atrasa um pouquinho o manejo, e quando chega na hora do plantio tem que atrasar um, dois dias, a gente perde a umidade do solo, não é algo interessante. Então sempre a gente procura estar trabalhando com a maior efetividade e celeridade possível dentro da fazenda”, completa.
Com o preparo concluído, restam os pequenos ajustes na operação. “Os ajustes da plantadeira são a conferência via sistema elétrico, hidráulico e a calibração do vácuo. Já a profundidade vai muito do clima e é feita manualmente na hora do plantio, e a velocidade é sempre a mesma”, detalha Taisa Botton. A profundidade de semeadura depende da leitura do dia. “Se você coloca uma semente muito rasa e dá uma chuva muito forte, corre risco dessa semente ser levada embora. Se você faz uma plantabilidade numa profundidade mais alta e posteriormente tem um período de estiagem, pode haver algum problema”, observa.
O conjunto desses ajustes, regulagem, profundidade e velocidade de operação, converge para um mesmo objetivo, que é a emergência uniforme. Plantas que nascem no mesmo intervalo competem menos entre si, respondem de forma homogênea às aplicações e chegam à colheita com maturação alinhada, o que reduz perdas e facilita o manejo ao longo de todo o ciclo.
Ao lado do associado em todas as etapas do plantio, a Aprosoja MT mantém o programa Semente Forte disponível desde 19 de agosto e durante toda a janela de semeadura, com coleta de amostras por amostrador oficial e análise laboratorial de germinação, vigor e sanidade. O resultado permite ajustar a densidade de semeadura ao desempenho real do lote e dá respaldo ao produtor caso o material não atenda ao padrão contratado.
Previsão do tempo – Mesmo com o preparo concluído, o clima mantém a atenção alta. “Eu acho que essa safra está uma incógnita. Quando você fala em El Niño, todo mundo fica com o pé atrás com relação a chuvas”, pondera Gilson. O impasse está na decisão de quando entrar. “Se plantar cedo e lá na frente der um veranico, isso pode atrapalhar ou pode até comprometer a produtividade. É uma safra de muita atenção, eu diria, de muito cuidado, de muito zelo, mais do que os outros anos”, acrescenta.
No campo, a expectativa é positiva, mas calibrada. “Logicamente que a gente fica com uma expectativa alta. Afinal, um produtor que produz apenas soja e milho, considerando a soja, você está falando de praticamente dois terços do seu faturamento”, avalia Taisa. “A gente tem uma boa perspectiva, mas sempre com o pé no chão. Sabendo que é um ano delicado, pode sim acontecer replantio, pode sim acontecer quebra de safra, e para isso a gente precisa estar ajustado tanto no operacional como também na nossa gestão com relação ao fluxo de caixa”, conclui.
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