As lavouras de trigo apresentam desenvolvimento regular, parcialmente prejudicado pelo excesso de precipitações, pela persistência de nebulosidade e pela baixa disponibilidade de radiação solar. Essas condições reduziram a taxa de crescimento e retardaram a progressão
fenológica em parte dos cultivos, resultando em plantas de menor porte, coloração verdepálida e, nos ambientes mais úmidos, amarelecimento das folhas inferiores. Também se observa a formação de colmos mais delgados, levando ao menor acúmulo de biomassa.
Em termos fenológicos, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo (82%), e parcelas implantadas mais precocemente avançam para a floração (14%) e enchimento de grãos (4%). O prolongado período de molhamento foliar e a elevada umidade têm aumentado a pressão de doenças, especialmente oídio, manchas foliares e ferrugens. Nas áreas em floração, a elevada umidade do solo vem restringindo o trânsito de máquinas e reduzindo as janelas para a aplicação de fungicidas.
Apesar das condições meteorológicas, o potencial produtivo permanece, em geral, satisfatório. A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, o desenvolvimento das lavouras tem sido prejudicado, causando amarelecimento e sinais associados à baixa aeração radicular. As aplicações de fungicidas ficaram concentradas às reduzidas janelas de tempo firme, direcionadas principalmente para os cultivos em floração.
A presença de insetos-praga está baixa, mas há necessidade de maior atenção às doenças foliares. Na de Caxias do Sul, a baixa luminosidade, associada à elevada precipitação, retardou o desenvolvimento das plantas, mantendo a maior parte das lavouras em perfilhamento. Os produtores realizam adubação nitrogenada e controle de plantas invasoras. O estabelecimento inicial é considerado adequado, embora tenham sido registradas falhas de germinação em algumas áreas.
Na de Frederico Westphalen, 70% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 15% em florescimento e 15% em enchimento de grãos. A nebulosidade persistente e a reduzida radiação solar limitaram o desenvolvimento. Já a umidade excessiva do solo restringiu as operações mecanizadas e concentrou o manejo na aplicação de fungicidas.
Na de Ijuí, 95% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e 5% em floração. As plantas apresentam coloração verde-pálida, amarelecimento nos locais mais úmidos, maior altura, colmos finos e folhas estreitas. Houve aumento da incidência de oídio e de manchas foliares; nos cultivos em floração foram observados sintomas de mal-do-pé e morte de plantas. A elevada umidade tem dificultado a aplicação de fungicidas e provocado o amassamento de plantas e o atolamento de máquinas nos pontos mais úmidos.
Na de Passo Fundo, todos os cultivos de trigo estão em afilhamento, e a adubação nitrogenada em cobertura foi concluída. Na de Pelotas, 96% estão em desenvolvimento vegetativo e 4% no início do florescimento. As chuvas intensas e em alto volume não causaram danos diretos às lavouras, mas vêm retardando o desenvolvimento das plantas.
Na de Santa Rosa, 73% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração e 4% em enchimento de grãos. Nos cultivos em florescimento, a combinação de temperaturas entre 20 e 25 °C com molhamento prolongado favorece as infecções por giberela. Já nas áreas em espigamento, as temperaturas mais elevadas, a nebulosidade e a
alta umidade ampliam a condição de risco para brusone. A abertura de uma janela de tempo firme permitiu a intensificação das aplicações de fungicidas.
Na de Soledade, o excesso de chuva restringiu o manejo fitossanitário e favoreceu a incidência de doenças fúngicas, principalmente manchas foliares e ferrugens, já com sintomas observados em algumas lavouras. Parte das áreas em espigamento havia recebido tratamento preventivo para giberela. A condição geral dos cultivos está satisfatória. Quanto à fenologia, 30% estão em perfilhamento, 55% em elongação do colmo e 15% em espigamento.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,21%, passando de R$ 69,80 para R$ 69,65 com pH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 75,00/sc. para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
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