O arroz em casca do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, está praticamente consolidado em R$ 80 por saca de 50 quilos. O produto encontra sustentação na postura dos orizicultores, que demonstram pouca flexibilidade para negociar diante de um cenário simultaneamente marcado por excesso de chuvas, atraso nos preparos e escassez de crédito. A afirmação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Portanto, diz Oliveira, a firmeza atual não deve ser interpretada exclusivamente como resultado de uma demanda mais aquecida: a variável decisiva é a redução da oferta efetivamente negociável. “O produtor passa a atribuir maior valor ao estoque disponível justamente porque a próxima safra começa sob maior incerteza operacional”, explica.
Na Fronteira Oeste gaúcha, 15–20 dias de chuvas praticamente inviabilizaram o preparo de solo em determinadas áreas, elevando o risco de atraso na janela agrícola. “Esse quadro fortalece a retenção, mas também exige cautela: ainda não há elementos suficientes para transformar o problema operacional em projeção de perda produtiva”, pondera.
Na outra ponta, a indústria começa a encontrar dificuldade para acompanhar a valorização da matéria-prima. “O fardo no Sul, entre R$ 104 e R$ 110, já enfrenta resistência de atacado e varejo aos novos reajustes”, exemplifica o analista.
Forma-se, assim, um descompasso: a origem sustenta o casca, enquanto a ponta comercial começa a estabelecer um limite para o preço do beneficiado. “A indústria tende a operar com maior seletividade, priorizando reposição de passagem e evitando formação excessiva de estoques em níveis considerados elevados”, prevê o consultor.
“O principal risco para a sustentação dos R$ 80 por saca seria uma combinação de maior resistência do consumo, redução do ritmo industrial e eventual surgimento de lotes de oportunidade”, enumera Oliveira.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotado a R$ 77,81, alta de 3,61% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 21,60%. Em relação a 2025, a valorização atingia 12,12%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras
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