A pecuária de Mato Grosso triplicou a produção de carne por hectare nos últimos 20 anos, enquanto a área de pastagens caiu de 26 milhões para 17 milhões de hectares. O avanço ocorreu com aumento da produtividade, intensificação dos sistemas e investimentos em manejo, recuperação de pastagens e genética.
Em 2005, o estado produzia 930 mil toneladas de carne em 26 milhões de hectares de pastagens. Naquele período, 13% da produção era destinada ao mercado externo e 87% permanecia no mercado brasileiro. Já em 2025, a produção chegou a 2 milhões de toneladas em 17 milhões de hectares.
O resultado é uma produção que passou de 36 quilos de carne por hectare ao ano, em 2005, para 120 quilos por hectare no ano passado. Para o diretor executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Daniel Latorraca, a transformação está ligada aos investimentos realizados pelos pecuaristas ao longo das últimas duas décadas.
“Só foi possível com base nos investimentos que ocorreram nos últimos 20 anos por parte dos pecuaristas, seja investimento em manejo, seja investimento em pastagem, em genética”, afirma em entrevista ao programa Direto ao Ponto.
A evolução da produtividade ocorre em um momento de alta de preços do boi, depois de um período de margens mais apertadas. Segundo Latorraca, a redução do abate de fêmeas durante o ciclo de baixa contribuiu para diminuir a oferta futura de animais, já que menos bezerros foram produzidos.
O efeito começou a aparecer no mercado a partir do segundo semestre de 2025, quando os preços passaram a reagir. A pecuária mato-grossense, porém, chega a esse novo ciclo com características diferentes das observadas em períodos anteriores.
Em 2025, Mato Grosso atingiu pela primeira vez 2 milhões de toneladas de carne, sendo que metade ficou no mercado brasileiro e metade foi destinada às exportações. O estado também ampliou a participação de animais jovens no abate: foram 7,5 milhões de cabeças abatidas, sendo 43% com menos de 24 meses.
Para Latorraca, a precocidade está entre os fatores que ajudaram a elevar a eficiência da produção. “Isso traz uma série de consequências, melhora muito a qualidade da carne, diminui o tempo dos ciclos”, explica.
A abertura dos mercados dos Estados Unidos e da China, em 2016 e 2017, também marcou uma nova fase para a pecuária mato-grossense. A exigência chinesa de animais com até 30 meses, conforme Latorraca, ajudou a estimular a produção de animais mais precoces.
A nutrição também passou por uma transformação com a expansão da produção de etanol de milho no estado e a entrada do DDG na alimentação animal. O coproduto passou a ampliar as possibilidades de uso do milho como fonte de proteína nos sistemas de produção.
“O DDG possibilitou, na verdade, que o milho fosse uma fonte de proteína, porque antes na pecuária não era possível. O milho era considerado um volumoso”, diz Latorraca em entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
O produto pode ser utilizado em diferentes níveis de intensificação. Entre eles estão o confinamento, em que o animal é mantido no cocho, e a Terminação Intensiva a Pasto, além do semi-confinamento. O DDG úmido tem maior utilização em propriedades próximas às plantas de etanol por causa da validade mais curta. Já o produto seco, o DDGS, pode ser transportado e passou a ser utilizado em maior escala.
“Isso possibilitou que você intensificasse e tornasse mais competitivo esses sistemas de intensificação”, destaca.
A combinação entre nutrição, manejo, recuperação de pastagens e genética ajudou a mudar a relação entre área e produção. Mesmo com a redução de 9 milhões de hectares de pastagens desde 2005, o rebanho não diminuiu e a produção de carne avançou. O principal ganho, de acordo com Latorraca, foi justamente na quantidade de carne produzida por hectare ao ano.
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