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Fórum Mais Milho discute pilares para fortalecer produção de milho


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O produtor de milho entra na próxima safra com pouco espaço para absorver novos custos. Além da dificuldade de acesso ao crédito e dos juros elevados, problemas antigos de infraestrutura continuam pesando sobre a atividade, principalmente em armazenagem, irrigação, máquinas e logística.

O déficit de armazenagem no Brasil já supera 135 milhões de toneladas, enquanto os investimentos em irrigação e na renovação do maquinário permanecem abaixo da necessidade do setor. No milho, a situação ganha peso porque o menor valor agregado por tonelada faz com que o transporte tenha impacto maior sobre a rentabilidade.

“O custo logístico impacta muito mais ao milho e também, mais ainda, ao sorgo”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini. Para ele, a falta de infraestrutura não é um problema isolado, mas um conjunto de fatores que reduz a competitividade das duas culturas.

O cenário será discutido no Fórum Mais Milho: Os Pilares da Produção, que será realizado em 12 de agosto, das 9h às 11h30, na sede da Abramilho, em Brasília (DF), e terá transmissão ao vivo no YouTube do Canal Rural (confira aqui). O encontro faz parte da 10ª temporada do Projeto Mais Milho, realizado pelo Canal Rural, através da afiliada de Mato Grosso, em parceria com a Abramilho e a Aprosoja Mato Grosso, e terá debates sobre irrigação, armazenagem, máquinas agrícolas, infraestrutura, defensivos e fertilizantes.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Déficits aumentam pressão sobre o produtor

A armazenagem é um dos pontos mais críticos para o setor, principalmente durante a colheita, quando a falta de espaço pode aumentar os custos e reduzir as alternativas de comercialização.

A irrigação também avança em ritmo inferior ao necessário. Além dos recursos para implantação dos sistemas, o produtor enfrenta entraves burocráticos para obter as licenças. Bertolini aponta que essas exigências estão entre os fatores que dificultam a expansão da atividade.

A atualização das máquinas agrícolas enfrenta problemas semelhantes. O investimento necessário cresce junto com a produção, mas o custo do crédito reduz a capacidade de renovação do parque. Para o dirigente, entender por que esses investimentos não avançam na velocidade exigida pela produção é parte fundamental do debate.

Os custos dos insumos completam a pressão sobre a margem. Fertilizantes e defensivos mais caros aumentam o desembolso por hectare e podem comprometer o resultado mesmo em propriedades com alta produtividade. “Os custos dos insumos têm crescido e tomado margem”, afirma Bertolini.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crédito e cenário externo ampliam incertezas

A preocupação aumenta quando o setor olha para 2026/27. A avaliação da Abramilho é de que a próxima temporada deve manter parte das dificuldades atuais, com crédito mais restrito e juros elevados.

“O crédito cada vez mais raro, mais difícil, juros extremamente altos” preocupa o setor, principalmente porque os investimentos em infraestrutura e máquinas dependem de financiamento. Bertolini também questiona a capacidade de execução do Plano Safra diante das condições atuais de crédito.

As incertezas não estão apenas dentro da porteira. A reforma tributária, a insegurança jurídica e questões relacionadas à propriedade privada também aparecem entre os fatores que influenciam a percepção de risco do produtor e, consequentemente, suas decisões de investimento.

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No mercado internacional, o conflito no Oriente Médio acrescenta uma variável. O Irã é apontado como principal destino do milho brasileiro, enquanto as vendas de sorgo para a África e a China vêm ganhando espaço. O Brasil, por outro lado, possui mais de 100 países compradores de milho.

Para Bertolini, a combinação dos fatores internos e externos exige atenção do setor. “Não é um cenário que a gente diga tranquilo, pelo contrário, é um cenário bastante preocupante”, avalia.

É nesse ambiente que o Fórum Mais Milho pretende colocar em discussão os principais gargalos da produção, buscando não apenas dimensionar os déficits, mas discutir as condições necessárias para que investimentos em infraestrutura, tecnologia e produção avancem no ritmo exigido pelo milho brasileiro.

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