De acordo com o mais recente relatório “Oilseeds: World Markets and Trade” do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a soja é a principal oleaginosa produzida globalmente, com produção superior a 370 milhões de toneladas anuais. No Brasil, maior produtor mundial do grão, dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a cultura ocupa mais de 44 milhões de hectares, mas apesar dessa expressiva importância, estudos técnicos da Embrapa Soja e revisões científicas publicadas em periódicos como Field Crops Research e Plant Physiology mostram que a cultura ainda é extremamente sensível a estresses abióticos, incluindo o excesso de radiação solar, que pode causar fotoinibição, reduzir a eficiência fotossintética e comprometer o crescimento inicial e a produtividade.
Diante desse cenário, uma pesquisa com participação de pesquisadores parceiros do INCT NanoAgro – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável identificou uma alternativa promissora para fortalecer o desenvolvimento da cultura em condições cada vez mais frequentes no contexto das mudanças climáticas. Publicado na revista científica Plants, o estudo demonstrou que a aplicação foliar de pontos de carbono, nanomateriais à base de carbono conhecidos pela capacidade de captar luz e proteger as plantas contra parte da radiação ultravioleta, foi capaz de reduzir os efeitos da fotoinibição, processo em que o excesso de luz compromete a eficiência da fotossíntese e, consequentemente, o crescimento das plantas.
A pesquisa foi conduzida em casa de vegetação com plantas de soja submetidas a condições de alta luminosidade. Os pesquisadores avaliaram diferentes concentrações dos pontos de carbono e verificaram que a dose de 0,05 mg mL⁻¹ apresentou os melhores resultados, preservando a atividade do fotossistema II, responsável por uma das etapas fundamentais da fotossíntese, sem intensificar os efeitos do estresse luminoso.
Os resultados também indicaram ganhos importantes no desenvolvimento das plantas. Em comparação ao tratamento controle, a concentração considerada mais eficiente proporcionou aumento de 14% no índice de clorofila, crescimento de 26% na parte aérea e incremento de até 41% na massa seca total durante a fase inicial da cultura.
Além de favorecer o crescimento, a tecnologia contribuiu para uma melhor adaptação fisiológica das plantas ao ambiente de alta luminosidade. As plantas tratadas apresentaram redução da transpiração e da condutância estomática, mantendo, ao mesmo tempo, a capacidade fotossintética, característica importante para o uso mais eficiente da água em condições de estresse. Embora concentrações mais elevadas tenham apresentado efeitos negativos sobre o desempenho fotossintético, os resultados reforçam o potencial dos pontos de carbono como nanobioestimulantes quando utilizados em doses adequadas.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores parceiros do INCT NanoAgro, vinculados à Universidade Estadual de Londrina (UEL) e à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Participaram da pesquisa Marina M. Kawazoe, Adriana de Paula Cardoso, Marilza Castilho, Ailton J. Terezo, Adriano B. Siqueira, Halley C. Oliveira e Diego G. Gomes.
Os resultados ampliam as evidências sobre o uso estratégico da nanotecnologia para aumentar a resiliência das culturas agrícolas frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ao proteger o aparato fotossintético das plantas e favorecer seu crescimento inicial, os pontos de carbono despontam como uma tecnologia com potencial para contribuir com sistemas agrícolas mais sustentáveis e produtivos.
Fonte: Assessoria de imprensa
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