A cotação do trigo, para o primeiro mês cotado, deu continuidade ao recuo iniciado na semana anterior. O bushel do cereal fechou a quinta-feira (06) em US$ 6,31, contra US$6,63 uma semana antes. A média de julho ficou em US$ 6,48, contra US$ 5,89 em junho, o que representa um aumento de 10% no período. Já a média de julho de 2025 ficou em US$ 5,40/bushel.
Assim, em Chicago, o bushel de trigo, após ter atingido a um recorde recente em 22/07, ao bater em US$ 7,05, recuou fortemente nos dias seguintes, atingindo a US$ 6,31 no dia 06/08. A nova possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã, e a liberação do estreito de Ormuz, puxou o mercado para baixo. Ao mesmo tempo, o movimento de recuo reflete a expectativa de boas safras nos principais países exportadores e o avanço da colheita no Hemisfério Norte, fatores que continuam aumentando a disponibilidade do cereal no mercado internacional e pressionando as cotações, apesar de uma safra menor nos EUA.
Já na Argentina, os preços na posição dezembro oscilaram entre US$ 220,00 e US$225,00/tonelada, tendo alcançado até US$ 230,00 no final de julho. E no Brasil, com graves problemas climáticos (excesso de chuvas, granizo e temporais) no sul do país, o mercado já considera que a produção final nacional possa nem chegar aos 6 milhões de toneladas, devendo ficar entre 5,5 e 5,8 milhões.
Assim, os preços internos do cereal se mantiveram entre R$ 70,00/saco no Rio Grande do Sul e R$ 75,00 junto às principais praças do Paraná. Com isso, as importações de trigo, por parte do Brasil, podem, muito bem, ultrapassar as 8 milhões de toneladas no ano comercial 2026/27. Vale destacar que, no Paraná, as cotações do trigo voltaram aos patamares observados em agosto de 2025, em termos reais, refletindo a restrição da oferta disponível no mercado a pronta entrega.
Diante da necessidade de recompor estoques, compradores elevaram gradualmente suas ofertas em busca de lotes de melhor qualidade. No entanto, os vendedores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais (cf. Cepea).
Enfim, o setor moageiro brasileiro de trigo lançou um alerta nesta semana, com forte preocupação com a queda na oferta da safra nacional no corrente ano. “Segundo dados do mercado, a combinação de fatores internacionais e domésticos intensificam a pressão sobre os custos da cadeia de moagem, com possíveis reflexos em toda a indústria de alimentos”. Para o setor, a elevada dependência de importações, sobretudo da Argentina, torna o país particularmente sensível às oscilações do mercado internacional.
Outro fator de impacto na cadeia tritícola está no mercado do farelo de trigo. A queda nos preços do milho reduziu o valor do farelo de trigo, comprometendo as margens dos moinhos. Com isso, cresce a pressão sobre os custos de produção e sobre a formação dos preços da farinha. “Quando o farelo perde valor, parte importante da receita da indústria é afetada. Isso acaba pressionando o custo final da farinha e, por consequência, de diversos alimentos consumidos diariamente pela população (cf. Abitrigo).
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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