O agronegócio mato-grossense avança rumo a uma nova era de eficiência produtiva. Em uma propriedade rural localizada em Pedra Preta MT), pertencente à Polato Sementes, um ecossistema tecnológico integrado passou a monitorar mais de 50 máquinas agrícolas em tempo real, combinando dados meteorológicos, telemetria e plataformas digitais para otimizar operações, reduzir desperdícios expressivos de insumos e preparar o campo para a adoção definitiva de inteligência artificial.
Toda a movimentação do maquinário — que abrange desde a localização exata no talhão e a velocidade de deslocamento até o consumo instantâneo de combustível, ocorrências mecânicas e o histórico detalhado da safra — é centralizada em um moderno centro de operações. Segundo o Head de Operações Agrícolas, Fabio Andre Schmidt, o rigor tecnológico é determinante principalmente para a rastreabilidade dos campos de sementes, permitindo o acompanhamento minucioso desde o plantio até a colheita para preservar o padrão final do produto.
A transição do modelo tradicional para a chamada “agricultura de decisão” permitiu à empresa transformar um enorme volume de dados brutos em inteligência gerencial. Por meio de painéis de Business Intelligence (BI), a equipe técnica consegue cruzar variáveis climáticas, produtividade histórica e desempenho operacional para embasar escolhas logísticas e agronômicas com rapidez.
Um exemplo prático dessa guinada analítica ocorreu na reestruturação do parque de maquinários. Após cotejar o rendimento operacional de duas plantadeiras de portes diferentes, a equipe constatou que o modelo maior, de 48 linhas, sofria paralisações constantes devido ao acúmulo de palhada, entregando um volume de trabalho equivalente ao de uma máquina de 35 linhas, porém com maior desgaste mecânico e consumo elevado de combustível. Com base nessa constatação empírica baseada em dados, a frota foi padronizada com o modelo menor para maximizar a eficiência.
Os ganhos também se refletem na precisão de aplicação de defensivos e na economia de insumos. Sensores embarcados automatizam o desligamento de linhas para evitar superposições de sementes, enquanto pulverizadores direcionados aplicam produtos químicos estritamente onde há presença de plantas daninhas, alcançando reduções que chegam a impressionantes 90% em determinadas operações localizadas.
Para garantir que o fluxo de informações ocorra sem interrupções em áreas extensas, a empresa investiu na instalação de torres exclusivas de comunicação nas fazendas. Essa infraestrutura de rede robusta sustenta não apenas o monitoramento de telemetria, mas também soluções de software criadas internamente.
A equipe de programação da empresa desenvolveu um sistema proprietário que dispara alertas instantâneos via WhatsApp para os responsáveis operacionais assim que identifica anomalias, como paradas imprevistas de maquinário, falhas mecânicas ou necessidades de manutenção preventiva. Com essa agilidade na resposta, evitam-se prejuízos financeiros e quedas no rendimento da lavoura, consolidando o uso de dados integrados como base para o futuro sustentável da produção no estado.
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