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Déficit de armazenagem pressiona sojicultor e amplia perdas após a colheita


O avanço da produção de soja no Brasil continua esbarrando em um velho problema: a falta de armazenagem. Mesmo com sucessivos recordes de safra, a infraestrutura não acompanhou o crescimento da produção, aumentando os custos para o produtor e reduzindo sua margem de lucro.

Segundo dados da Datagro, a produção nacional de grãos cresceu, em média, 6,5% ao ano na última década, enquanto a capacidade estática de armazenagem avançou apenas 4% ao ano. O resultado é um déficit superior a 130 milhões de toneladas, que obriga muitos produtores a venderem ou escoarem a produção logo após a colheita.

Para o diretor executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, o armazenamento é estratégico, principalmente nas regiões produtoras do Centro-Oeste.

“O armazenamento é fundamental, em especial para nós que estamos no Centro-Oeste, distante dos portos e em regiões de fronteira. Ele dá segurança à atividade e permite ao agricultor escolher o melhor momento para comercializar sua safra e aproveitar melhores oportunidades de mercado”, comenta Rosa.

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Apesar da redução da taxa de juros para 9,5% no Plano Safra 2026/27 para construção e ampliação de armazéns, especialistas avaliam que o acesso ao crédito ainda é um dos principais entraves para novos investimentos.

O analista de mercado Carlos Cogo afirma que a falta de capacidade de armazenagem já provocou perdas expressivas ao setor. “Os produtores rurais perderam cerca de R$ 9 bilhões nos últimos quatro anos por não terem onde armazenar os grãos. Esse valor seria suficiente para construir aproximadamente 100 milhões de toneladas de nova capacidade estática, praticamente eliminando o déficit estrutural de armazenagem do Brasil.”

Segundo Cogo, a deficiência na infraestrutura também encarece toda a operação logística. Sem espaço nas propriedades, milhares de produtores precisam retirar a soja ao mesmo tempo, sobrecarregando rodovias, armazéns, terminais e portos.

“A logística pós-colheita fica muito mais cara. Há uma demanda maior por caminhões e a soja muitas vezes é transportada ainda com umidade e impurezas. Nas unidades de recebimento, o excesso de volume pode comprometer o processamento, aumentando os custos de secagem e reduzindo a eficiência, o rendimento e até a qualidade do produto.”

Além dos impactos operacionais, a falta de armazenagem limita a estratégia comercial do produtor. Sem estrutura para estocar a soja, muitos agricultores acabam vendendo a produção no período de maior oferta, quando os preços costumam estar pressionados, perdendo a oportunidade de negociar em momentos mais favoráveis do mercado.

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