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Plataforma mapeia javalis e apoia combate à espécie invasora em MS


Foto: Reprodução.

Considerada uma das pragas mais graves do agronegócio, a proliferação de javalis tem gerado apreensão entre os produtores nas últimas semanas. Os animais adultos, que podem alcançar até 200 quilos, destroem patrimônios, atingem ativos biológicos, ameaçam a fauna nativa e colocam trabalhadores em risco.

Sem predadores naturais e com alta capacidade de adaptação, essa espécie também cruza com porcos domésticos, formando os chamados ‘javaporcos’. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a presença dessas espécies é ampla e crescente.

Pensando nisso, a Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja/MS), com recursos do Fundems e em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), criou uma ferramenta de geotecnologia que transforma registros feitos em campo em inteligência territorial para rastrear a presença das espécies invasoras. 

O objetivo é gerar dados que subsidiem ações de manejo e orientem gestores e produtores sobre a situação dos javalis e javaporcos em Mato Grosso do Sul.

Região Sul concentra mais registros

Na última atualização do sistema, 291 javalis e javaporcos já haviam sido identificados. 

Segundo a Aprosoja, embora ainda seja necessário ampliar a participação dos usuários para obter um retrato ainda mais preciso, as informações atuais indicam que a região Sul concentra o maior número de registros validados, com 158 javalis e 14 javaporcos observados nas regiões de Dourados, Antônio João e Rio Brilhante. 

Imagens da região de Rio Brilhante (MS). Foto: Divulgação/Aprosoja MS.

“Em pouco mais de um mês de funcionamento, o painel já confirma um problema que os produtores rurais enfrentam há muitos anos. O número não chega a surpreender, mas evidencia a dimensão do problema. A perspectiva é que esse quantitativo aumente nos próximos meses, à medida que mais produtores e técnicos passem a utilizar a plataforma”, explica a analista de geoprocessamento da Aprosoja/MS, Staël Ribeiro.

Imagem da região de Sonora (MS). Foto: Divulgação/AproSoja MS.

Em relação à dispersão, Ribeiro explica que a presença do porco feral (Sus scrofa) é considerada generalizada no estado, com registros distribuídos em diferentes regiões. “No entanto, a intensidade das ocorrências varia conforme fatores como disponibilidade de alimento, abrigo e proximidade de áreas agrícolas e de produção animal”.

Talhão aberto por javalis em Sonora (MS). Foto: Divulgação/AproSoja MS.

Como funciona a validação dos registros

De acordo com a Aprosoja, o processo de validação dos dados segue um fluxo rigoroso de governança. Após o envio do registro pelo produtor rural ou técnico (clique aqui para acessar o formulário), a informação não é incorporada automaticamente ao sistema. Inicialmente, ela permanece em uma etapa de triagem e somente é validada após análise da equipe técnica da entidade.

Assim, para evitar registros duplicados ou inconsistências geográficas, o sistema cruza as coordenadas obtidas pelo GPS do dispositivo com as informações da propriedade e do município informados no formulário. Além disso, os técnicos realizam verificações manuais para identificar possíveis duplicidades e garantir a qualidade dos dados. 

Mapa com dados do registro e localização dos bandos de javalis e javaporcos em MS (Foto: Divulgação Aprosoja/MS).

Segundo Staël Ribeiro, a identificação correta das espécies é assegurada pela exigência de evidências, como fotografias ou vídeos dos animais, pegadas ou danos causados. 

“Esse material permite que os analistas confirmem as características do animal e diferenciem javalis e javaporcos de espécies nativas, como o cateto e a queixada, garantindo maior confiabilidade aos registros”.

Nas redes sociais, a Aprosoja/MS fez um vídeo explicando o passo a passo de como preencher o formulário da plataforma de forma rápida e correta. Confira:

Para o poder público e os órgãos de defesa sanitária, as informações permitem direcionar ações de monitoramento, controle e vigilância para as áreas mais críticas, contribuindo para a otimização de recursos e para o aumento da eficiência das medidas adotadas. 

“Além disso, os dados podem subsidiar estratégias de prevenção de riscos sanitários e de mitigação dos prejuízos causados à produção agropecuária”, finaliza Ribeiro. 

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agro.mt

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