Pesquisas realizadas em propriedades de quatro municípios em Mato Grosso confirmaram a presença da podridão salmão em lavouras de milho. Segundo o estudo, em algumas áreas a doença, causada pelo fungo Waitea zeae, atingiu entre 22% e 42% das espigas avaliadas. Setor produtivo pontua já possuir uma lista com os híbridos que vem registrando incidência mais recorrente do fungo.
A doença fúngica se desenvolve de forma silenciosa dentro das espigas e pode comprometer o enchimento dos grãos, reduzindo a produtividade das lavouras. A detecção em Mato Grosso da nova ameaça às lavouras de milho ocorreu somente no início da colheita. As espigas aparentemente normais escondiam o problema que ainda era desconhecido no estado.
A confirmação do diagnóstico veio após novas análises laboratoriais realizadas por uma equipe técnica contratada pela Aprosoja Mato Grosso em novas coletas em campo em propriedades de Brianorte, Nova Maringá, São José do Rio Claro e Itanhangá.
“É uma doença nova que normalmente não ocorria no milho. Foi detectada maior intensidade onde houveram mais chuvas recorrentes, principalmente após o pendoamento”, afirma o presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, ao projeto Mais Milho.
O diagnóstico realizado pela equipe técnica contratada revelou que o estado enfrenta, na verdade, dois desafios dentro das espigas. No início das avaliações, os pesquisadores encontraram a podridão branca, provocada pelo fungo Stenocarpella, conhecida no campo como Diplodia. Contudo as novas análises também confirmaram a presença do Waitea zeae, responsável pela podridão salmão. Duas doenças que passam a fazer parte do mapa de preocupação dos produtores de milho do estado.
Beber ressalta ainda que “assim como a Diplodia quebrou muito a cabeça da pesquisa até se achar o manejo adequado, talvez essa doença vamos ter que aprender um pouco até dominar 100% dela”. Diante disso, uma das orientações no momento é a eliminação de alguns manejos que já se mostraram ineficazes para o controle da podridão salmão.
De acordo com os resultados das análises, o impacto da podridão salmão aparece principalmente no enchimento dos grãos. Em um dos testes, 100 sementes consideradas sadias pesaram 43,3 gramas. Já as sementes totalmente afetadas pelo fungo chegaram a apenas 24,9 gramas, uma redução de 42,5% no peso.
“Realmente ela tem causado grandes danos, chegando até a 40% de grãos avariados. Contratamos uma empresa especializada, vamos testar os fungicidas para saber quais os melhores manejos para a próxima safra”, frisa o diretor da Aprosoja Mato Grosso, Fernando Ferri, à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
A descoberta da existência da podridão salmão em Mato Grosso acendeu um alerta ainda maior nos pesquisadores ao se constatar a presença do fungo em duas áreas onde o milho nunca havia sido cultivado. A hipótese, segundo os especialistas, é que o agente causador da doença possa ter chegado por meio da própria semente. Uma suspeita que ainda será investigada, mas que muda o olhar sobre o avanço do problema.
Conforme Lucas Costa Beber, a podridão salmão possui um modo de multiplicação parecido com o mofo brando da soja. “Ou seja, difícil de manejar e ela pode ficar instalada por muitos anos dentro da lavoura. A grande probabilidade é que ela entre através da semente e um dos maiores problemas é a decomposição lenta da palhada do milho que fica de um ano para o outro, pois pode fazê-la reinocular novamente no ano seguinte”.
Com a confirmação da podridão salmão, começa agora uma corrida científica para entender o comportamento do fungo e encontrar formas de reduzir os impactos nas próximas safras. Entre as estratégias avaliadas estão o uso de produtos biológicos, a aceleração da decomposição da palhada e a busca por materiais genéticos menos suscetíveis.
Beber lembra ainda que por se tratar de um fungo não se pode esquecer que é possível haver um inóculo menor e o clima favorecer a multiplicação. “Não significa que em anos de menos chuvas também não possa dar, principalmente se o material for mais suscetível”.
Enquanto as respostas não chegam, a recomendação é uma só: monitorar. “Quanto mais unidos estivermos, desde os obtentores, multiplicadores de sementes e produtores, iniciando desde o acompanhamento da semente da sua originação quanto também os tratamentos, e a pesquisa da eficácia dos tratamentos de semente para o controle do inóculo, isso também vai avançar mais rápido para o controle e domínio dessa doença para que ela não se propague mais e traga prejuízos ainda maiores para os produtores”.
O presidente da Aprosoja Mato Grosso frisa ainda que os produtores que tiverem algum problema podem entrar em contato com o Canal do Produtor da entidade. “Nossa equipe vai se deslocar até lá para acompanhar esses padrões já que esse ano nós tivemos chuvas extras no período em que normalmente não ocorrem, o que faz com que a propagação seja ainda maior. É importante que quanto mais dados nós pudermos reunir, nós teremos mais agilidade nas nossas pesquisas que ainda estão em aberto. Inclusive a Aprosoja Mato Grosso já tem uma relação dos híbridos que tem sido um problema mais recorrente no que se trata dessa doença”.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Pesquisa confirma presença da podridão salmão em lavouras de milho de Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Foto: Ascom Famasul O mercado brasileiro de soja apresentou pequenos ajustes negativos nesta terça-feira (21),…
Homem de 29 anos teve mandado de prisão preventiva cumprido pela Derf após ser localizado…
Foto: Freepik O avanço da produção de etanol de milho deve transformar ainda mais o…
Prefeito afirma que proposta pode ajudar a impedir o acesso precoce de crianças e adolescentes…
Foto: Reprodução Os recursos do Plano Safra 2026/27 com juros equalizados devem estar disponíveis para…
Atividades simultâneas nos centros Padre Firmo e Maria Ignês reuniram centenas de participantes para momentos…