A aplicação da sobretaxa de 25% pelos Estados Unidos a cerca de 3.000 produtos brasileiros, oficializada nesta quinta-feira (16) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sob a Seção 301, redesenhou o mapa das exportações do Brasil para o mercado norte-americano.
Embora a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) estime que a medida impacte duramente US$ 11 bilhões em exportações, a publicação dos anexos oficiais de exceções (HTSUS) trouxe um alívio parcial.
Graças a uma forte pressão de indústrias de ambos os lados, o governo dos EUA poupou matérias-primas e alimentos essenciais para evitar desabastecimento interno e inflação ao consumidor americano, mas puniu severamente setores industriais e o etanol brasileiro.
Para mitigar o impacto econômico e evitar o encarecimento de insumos industriais vitais, a Casa Branca e o USTR definiram uma lista robusta de produtos brasileiros isentos das tarifas de 25%:
O USTR utilizou a tarifa aduaneira para mirar cirurgicamente em setores onde buscava maior poder de barganha político ou onde havia forte concorrência com produtores norte-americanos:
A Amcham Brasil classificou a medida do governo dos Estados Unidos como um “resultado muito negativo” para a relação bilateral, com potencial para encarecer processos industriais na própria economia norte-americana.
A entidade alertou ainda que a sobretaxa vai elevar os custos de indústrias dos EUA que dependem de insumos brasileiros, ampliando a dependência do país norte-americano em relação a fornecedores da Ásia e limitando parcerias em minerais críticos e energia digital.
De acordo com o presidente-executivo da Amcham Brasil, Abrão Neto, as negociações bilaterais de bastidores que se intensificaram nos últimos meses seguem sendo o caminho mais eficaz para reverter as taxas.
Ele destacou, contudo, que o cenário exige pressa dos dois governos para evitar novos aumentos tarifários decorrentes de investigações em andamento da Seção 301 sobre trabalho forçado, sob o risco de a taxação acumulada sobre produtos brasileiros chegar a 37,5%.
Por outro lado, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) celebrou a vitória conquistada com a isenção de 100% dos tipos de café exportados do Brasil para o mercado americano.
Para o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, o sucesso é fruto de uma intensa articulação que envolveu mais de 100 reuniões coordenadas com departamentos americanos de Estado, Tesouro e Agricultura desde julho do ano passado, além de uma sólida parceria de atuação com a National Coffee Association (NCA).
Matos explicou que a força-tarefa conseguiu comprovar o papel do Brasil como parceiro técnico “insubstituível” na segurança do abastecimento e na estabilização dos preços ao consumidor final norte-americano.
“São parceiros insubstituíveis, é uma relação de ganha-ganha, uma relação de via de mão dupla”, afirmou o executivo, assegurando a manutenção de um comércio anual de café estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões.
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