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El Niño pode impulsionar produtividade agrícola no Sul do Brasil, aponta Santander – MAIS SOJA


Um estudo do Santander mostra que a formação de um El Niño nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte a muito forte, deve trazer chuvas acima da média para o Sul do país, favorecendo a produtividade das safras de soja e milho na região. O levantamento reforça que o fenômeno não deve ser lido como um choque necessariamente negativo para a agropecuária brasileira, mas como um vetor que redistribui ganhos e riscos entre regiões.

De acordo com a análise, que cruza dados de rendimento agrícola desde 1962 com o Índice Oceânico Niño (ONI), episódios de El Niño historicamente elevam as chuvas no Sul do Brasil durante o ciclo de verão, período crítico para o desenvolvimento das lavouras. O resultado são produtividades de soja e milho consistentemente acima da tendência histórica nessas regiões. Esse é um padrão observado, inclusive, nos eventos mais fortes já registrados, como o de 2015/16.

“O mesmo evento climático pode ao mesmo tempo beneficiar produtores do Sul do Brasil e pressionar o Centro-Oeste, onde as condições tendem a ficar mais secas. O que o El Niño realmente eleva é a volatilidade, e é justamente aí que uma leitura mais precisa do cenário se torna mais relevante”, afirma Adriano Valladão, economista do Santander e autor do levantamento.

O estudo também avalia os efeitos sobre a inflação de alimentos no Brasil. A pressão mais relevante tende a se concentrar nos itens in natura — frutas, verduras e legumes —, mais sensíveis a choques climáticos de curto prazo, enquanto alimentos industrializados e semiprocessados devem seguir padrão parecido ao observado em períodos de neutralidade climática.  No cenário do Banco, a inflação de alimentos no domicílio deve atingir o pico em fevereiro de 2027, cerca de 5 p.p. acima do patamar de agosto de 2026, equivalente a 75 pontos-base no IPCA, com reversão gradual ao longo de 2027 e 2028.

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Para o Santander, o cenário já embute esse componente de pressão nas projeções, o que reduz a incerteza sobre a direção do fenômeno e concentra a atenção na sua intensidade e duração. “Para o produtor do Sul e para quem acompanha a cadeia de grãos na região, é importante considerar que esse é um ambiente potencialmente favorável em 2026/27, desde que se monitore o ritmo e padrão das chuvas ao longo do ciclo”, conclui Valladão.

Fonte: Assessoria de imprensa


agro.mt

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