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Sementes certificadas e proteção intelectual ganham destaque em debate sobre o futuro do agro


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A inovação tecnológica tem sido um dos principais motores da expansão da agricultura brasileira nas últimas décadas. O avanço da biotecnologia, do melhoramento genético e da pesquisa permitiu ganhos expressivos de produtividade e ajudou o país a consolidar sua posição entre os maiores produtores de alimentos do mundo.

Mas, ao mesmo tempo em que novas tecnologias chegam ao campo, cresce a preocupação com a comercialização irregular de sementes e insumos agrícolas. O tema esteve no centro das discussões de um workshop realizado em São Paulo, que reuniu representantes da indústria, produtores rurais e especialistas do setor.

O debate destacou a importância da pesquisa para o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e adaptadas às diferentes regiões do país, além dos desafios para garantir que esses investimentos continuem chegando ao campo.

Para o líder do negócio de soja da Bayer, Fabiano Oliveira, o trabalho começa muitos anos antes de a semente chegar às propriedades rurais. “Tem muita pesquisa, muito tempo, tanto de laboratório quanto de campo para entender a performance de cada cultivar e de cada biotecnologia para gerar as melhores recomendações para que quando o agricultor vai plantar ele tenha sucesso”.

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Os resultados dessa evolução já aparecem na produtividade. Dados apresentados durante o evento mostram que produtores que utilizaram a tecnologia IPRO colheram, em média, 96 sacas por hectare, enquanto sistemas convencionais registraram 86 sacas, uma diferença de 12%.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pesquisa e produtividade

Por trás de cada nova cultivar lançada no mercado existe um longo processo de pesquisa, testes e validações. O desenvolvimento de uma variedade pode levar mais de uma década até chegar ao campo, envolvendo avaliações em laboratório e em diferentes regiões produtoras.

Fabiano Oliveira destaca ao Canal Rural Mato Grosso que esse trabalho é realizado em conjunto com produtores, cooperativas, revendas e sementeiros para que as tecnologias cheguem ao mercado com recomendações adequadas às diferentes realidades agrícolas. Conforme ele, o objetivo é ampliar as chances de sucesso das lavouras e manter o Brasil na liderança da produção global de alimentos.

A qualidade das sementes também foi apontada como um fator decisivo para que o potencial produtivo seja alcançado. O CEO da Sementes Jotabasso, Tages Martinelli, afirmou que a empresa realizou mais de 92 mil análises nos últimos anos para garantir altos padrões de qualidade e vigor.

Para ele, a certificação oferece mais segurança ao produtor diante dos desafios enfrentados a cada safra. “Por isso a importância de uma semente certificada. É garantir que o produtor quando vai lançar essas sementes ao campo ela possa expressar todo o seu potencial e garantir assim que seus investimentos tenham valido a pena, mesmo nos desafios climáticos que a safras ano após ano vem apresentando para nós”.

A ampliação do número de cultivares disponíveis no mercado também aumentou a responsabilidade dos produtores na hora de escolher a tecnologia mais adequada para cada propriedade.

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Produtor rural em Chapadão do Sul, em Mato Grosso do Sul, Pompilio Rocha cultiva cerca de 1,5 mil hectares de soja e milho segunda safra e afirma que o processo de seleção das variedades se tornou cada vez mais complexo. “Você tinha 7, 8, 10 variedades no máximo e hoje já foram passadas para nós são 2,7 mil no Brasil”.

Para reduzir riscos, ele conta que realiza testes em pequenas áreas da fazenda antes de ampliar o uso dos materiais. “A gente planta áreas pequenas para ver quais têm as melhores performances, porque eu tenho que conhecer aquela variedade na minha realidade”, explica à reportagem.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Pirataria preocupa setor

Além dos avanços tecnológicos, o workshop trouxe um alerta sobre os impactos da comercialização irregular de sementes para toda a cadeia produtiva da soja.

Representantes do setor destacaram que a pirataria reduz a capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de gerar prejuízos para empresas, produtores e demais elos envolvidos na produção agrícola.

Um estudo realizado pela CropLife Brasil em parceria com a consultoria Céleres apontou que 11% das sementes de soja utilizadas no país são de origem ilegal. De acordo com a diretora da entidade, Catharina Pires, o problema apresenta índices ainda maiores em alguns estados.

“Quando a gente olha para esse número, estado a estado, por exemplo, no caso do Rio Grande do Sul, nos deparamos com um percentual ainda maior. Quase 30% da semente de soja utilizada no estado do Rio Grande do Sul é de origem ilegal”, afirma.

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De acordo com ela, o uso de sementes sem certificação pode comprometer o desempenho das lavouras e trazer prejuízos ao produtor. “Isso coloca em risco em primeiro lugar o agricultor que está plantando algo sem saber o que vai colher”.

Ainda conforme o levantamento, a utilização de sementes ilegais representa um impacto econômico estimado em R$ 10 bilhões por ano para a cadeia da soja.

Para Tages Martinelli, a escolha de sementes de qualidade se torna ainda mais importante em períodos de incerteza climática e margens apertadas. “Em margens apertadas não podemos brincar com aquilo que é essencial. Se você não colocar uma semente de altíssima qualidade, o potencial não vai ser expressado”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Segurança jurídica e perspectivas

O fortalecimento da inovação também passa pela segurança jurídica. Durante o encontro, especialistas destacaram que as leis de propriedade intelectual e de proteção de cultivares foram fundamentais para atrair investimentos e ampliar a oferta de tecnologias no país.

Fabiano Oliveira pontua que os ganhos gerados pela biotecnologia podem ser observados diretamente nos resultados obtidos pelos produtores. “Quando o agricultor escolhe biotecnologias com patente válida a gente vê, através de dados robustos, incrementos da ordem de 10%, 11%, 12% a mais de produtividade em todas as regiões do Brasil”.

Conforme ele, o aumento da produtividade beneficia não apenas os agricultores, mas também cooperativas, revendas, multiplicadores de sementes e empresas ligadas ao desenvolvimento genético.

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As perspectivas para a soja e o milho também estiveram em pauta durante a programação. Entre os temas debatidos estiveram os desafios econômicos enfrentados pelos produtores e as oportunidades ligadas ao crescimento da demanda por biocombustíveis.

Para o fundador da Veeries, Fábio Meneghin, o setor deve viver um novo ciclo de investimentos impulsionado por políticas voltadas ao etanol, biodiesel, HVO e SAF. “Os biocombustíveis devem trazer essa nova onda de investimentos, algo similar ao que a gente viu nos últimos 20 anos pelas proteínas animais”.

Na avaliação de Pompilio Rocha, o momento exige maior eficiência dentro da porteira. Segundo ele, custos elevados de logística e armazenagem reforçam a necessidade de escolhas mais assertivas em relação às tecnologias utilizadas. “Nós temos que priorizar o solo, temos que priorizar a tecnologia na parte de defensivos e variedade de soja. A tecnologia está aí, temos que saber até quanto usar dela para manter a rentabilidade”.

O diretor comercial da Bayer, Fábio Passos, acredita que a inovação continuará ocupando papel central para a competitividade do agro brasileiro. “A produtividade e a inovação têm que ser centrais em um momento como esse, onde eu preciso ser mais efetivo, ter mais controle de custos e recursos para produzir mais”.

Para Passos, o futuro passa não apenas por novas biotecnologias, mas também por ferramentas digitais e práticas sustentáveis. “Tem inovação digital e sustentabilidade que vai vir aí e com certeza nos impulsiona muito para esse futuro”. O desafio, frisa, será produzir mais, com eficiência e sustentabilidade, aproveitando as oportunidades que surgirão para a soja e o milho nos próximos anos.

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