O mercado brasileiro de soja teve uma terça-feira (16) mais movimentada, com destaque para os negócios realizados no mercado interno. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as melhores oportunidades vieram da indústria, que em algumas regiões chegou a oferecer preços acima da paridade de exportação, favorecendo a comercialização.
A Bolsa de Chicago apresentou forte volatilidade ao longo do dia, mas encerrou a sessão em alta. O avanço das cotações, aliado à valorização do dólar, abriu espaço para melhores indicações de preços e incentivou a realização de negócios.
De acordo com Silveira, houve registro de negociações em diversas regiões do país, impulsionadas justamente pelas ofertas mais atrativas da indústria. Nos portos, porém, o ritmo foi mais moderado e não acompanhou o mesmo dinamismo observado no interior.
Do lado do produtor, a postura continua cautelosa. O spread mais elevado e a expectativa por preços ainda melhores fazem com que muitos agricultores mantenham o ritmo de vendas mais lento, comercializando apenas parte dos volumes ainda disponíveis.
Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Especulações de que a China estaria voltando a comprar soja dos Estados Unidos garantiram a recuperação.
“O mercado volta a operar em alta diante das expectativas envolvendo a demanda chinesa e também de novos acordos comerciais entre EUA e União Europeia, fatores que acabam trazendo uma percepção de demanda mais forte para a soja”, explica o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira.
Neste momento, o Brasil segue com forte ritmo de exportações e preços ainda competitivos nos portos, cenário que deve permanecer ao menos até meados de julho. “Contudo, a curva de prêmios começa a mudar de maneira mais significativa a partir de agosto, com diferenças mais substanciais entre os prêmios brasileiros e americanos”, ressalta o analista.
Os prêmios nos bids de Paranaguá estão variando entre US$ 1,00 e US$ 1,10
sobre Chicago nos contratos de agosto e setembro. Já no Golfo americano, os prêmios permanecem na faixa de 86 a 75 cents de dólar por bushel. “Esta diferença acaba colocando o flat price brasileiro entre US$ 6 e US$ 13 por tonelada acima do produto americano, podendo ser ainda maior nos contratos de setembro”, acrescenta.
Segundo Silveira, essa disparidade tende a influenciar diretamente as decisões de compra da China e de outros players internacionais ao longo do segundo semestre, favorecendo uma concentração maior da demanda no mercado americano, justamente durante a entrada da nova safra dos EUA.
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 10,75 centavos de dólar, ou 0,96%, a US$ 11,30 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,34 1/2 por bushel, com elevação de 11,00 centavos de dólar ou 0,97%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 2,80 ou 0,92% a US$ 304,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 72,92 centavos de dólar, com perda de 1,45 centavo ou 1,94%.
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,55%, sendo negociado a R$ 5,0895 para venda e a R$ 5,0875 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0420 e a máxima de R$ 5,1030.
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