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Entidades do agro reagem ao veto da União Europeia contra carnes, aves, peixes e mel do Brasil


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Entidades do agronegócio reagiram à decisão da União Europeia (UE), confirmada na última sexta-feira (5), de suspender a importação de produtos brasileiros de origem animal, como carne bovina, aves, mel, peixes da aquicultura e outros subprodutos a partir de setembro de 2026.

Representantes do setor criticam a medida, defendem a qualidade sanitária da produção nacional e cobram uma resposta mais firme do governo brasileiro e do Mercosul diante das exigências impostas pelo bloco europeu.

A restrição está relacionada às regras da UE sobre o uso de antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal. O regulamento europeu foi aprovado em 2019 e complementado em 2023, estabelecendo prazo até setembro de 2026 para que os países exportadores comprovassem equivalência regulatória às normas sanitárias do bloco.

Segundo comunicado da Comissão Europeia, as informações apresentadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para validar os processos oficiais de fiscalização exigidos pela UE.

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SRB pede análise técnica e revisão do processo

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) afirmou que o episódio precisa ser analisado sob o ponto de vista técnico e regulatório, sem transformar o debate em busca por culpados.

Em nota, a entidade defendeu uma investigação detalhada sobre quais etapas do cronograma de adequação não avançaram dentro do prazo previsto pela União Europeia.

A SRB argumenta que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais e cita o histórico do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, além dos mecanismos de autocontrole do setor privado, como fatores que ampliaram a eficiência da fiscalização sanitária brasileira.

No caso da pecuária bovina, a entidade também destacou a experiência do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado para garantir rastreabilidade em mercados mais exigentes.

Para a SRB, o caso deve servir para aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a capacidade do país de responder a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas no comércio internacional.

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Faep critica veto e cobra ação do governo federal

O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, classificou a decisão europeia como incompatível com a realidade sanitária brasileira e cobrou do governo federal o envio urgente das informações exigidas pela UE.

Segundo a entidade, o Brasil e o Paraná possuem reconhecimento internacional como áreas livres de febre aftosa sem vacinação e contam com estrutura sanitária consolidada na cadeia pecuária.

A Faep também destacou o impacto econômico da medida. Em 2025, os embarques dos produtos atingidos pela restrição somaram US$ 1,8 bilhão dentro de um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.

Na avaliação da federação, o bloqueio afeta diretamente frigoríficos, exportadores e produtores integrados às cadeias de proteína animal.

A entidade ressaltou ainda que associações do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entendem que o impasse não envolve falhas sanitárias no campo, mas divergências burocráticas relacionadas à validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém negociações diplomáticas para tentar reverter a decisão europeia.

Faesp cobra reação mais firme do Mercosul

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também criticou a decisão da União Europeia e afirmou que as novas exigências representam uma mudança nas condições discutidas ao longo de 25 anos de negociações entre Mercosul e UE.

A entidade contestou o argumento sanitário utilizado pelo bloco europeu e alegou tratamento desigual em relação a países concorrentes, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Na avaliação da Faesp, as restrições ampliam a insegurança para frigoríficos, pecuaristas, exportadores e processadores que atuam no mercado europeu.

A federação também defendeu uma atuação diplomática mais firme do Mercosul, com posicionamento conjunto entre Brasil, Argentina e Uruguai diante das barreiras impostas pela União Europeia.

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Setor aguarda definição sobre alcance da medida

Apesar das manifestações das entidades, ainda não há detalhamento completo sobre o alcance prático da decisão europeia.

Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações adicionais sobre documentos pendentes, exigências complementares, cronograma de revisão das restrições ou o volume exato das exportações que poderão ser afetadas.

O setor avalia que os próximos passos dependerão do avanço das negociações diplomáticas e do envio das informações técnicas exigidas pela União Europeia para validar os sistemas brasileiros de controle sanitário e fiscalização.

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