Um suposto superfaturamento que pode chegar a R$ 80 milhões em compras realizadas entre 2025 e 2026, período em que a pasta era comandada pelo ex-secretário Amauri Monge, agitou o debate político de Cuiabá.
A denúncia foi levantada pelo próprio prefeito Abílio Brunini (PL), que, desconfiando dos contratos, escolheu dar plena transparência ao caso.
O Livre acompanhou de perto a inspeção feita pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e pelo prefeito Abílio Brunini nesta sexta-feira (30). Nós também tivemos acesso ao material que hoje é investigado.
Os contratos chegariam a R$ 80 milhões em compras já realizadas pela prefeitura. Até o momento, pouco mais de R$ 20 milhões foram pagos.
Desde que a prefeitura encontrou irregularidades, os contratos foram suspensos.
A empresa não fornecia somente livros para alunos, mas também alegava que eram oferecidos livros para os professores, algumas palestras e alguns programas de computador.
Ao analisar os livros, O Livre percebeu que eles eram feitos do mesmo material dos antigos jornais impressos.
Trata-se do papel newsprint não revestido, feito geralmente de material reciclado. Geralmente, esse material é mais barato que o papel de qualidade padrão, mas tem uma vida útil bem menor.
A maior parte do conteúdo dos livros foi gerada por IA, tornando o material ainda mais barato e sem qualquer exclusividade.
Na pouca intervenção humana que os livros apresentam, há inúmeros erros de português. De erros de concordância até palavras escritas erradas.
O fato chama atenção, pois o material seria usado para ensinar alunos. Mas como ensinar se nem quem escreveu aprendeu direito?
Outro ponto importante é que foram comprados materiais para disciplinas que nem ao menos fazem parte da grade escolar da Prefeitura de Cuiabá.
É o caso de um livro de educação financeira, uma disciplina importante, mas que não é ensinada nas escolas municipais.
Foi o prefeito de Cuiabá quem descobriu e denunciou o esquema. Ao suspeitar dos contratos, Abílio levou a denúncia para frente.
Com a denúncia, a Prefeitura de Cuiabá pode reaver valores no futuro ou, ao menos, evitar o pagamento dos outros R$ 60 milhões que ainda faltam ser pagos.
As investigações começaram, e o presidente do TCE já disse ter encontrado irregularidades na compra do material.
Sérgio Ricardo também elogiou a transparência de Abílio e a forma como o caso vem sendo tratado pela Prefeitura de Cuiabá de maneira institucional.
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