A cafeicultura ganhou espaço na AgroBrasília 2026 com duas palestras realizadas nesta sexta-feira (22), no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). As apresentações abordaram qualidade, inovação, agregação de valor e a inserção do café brasileiro em mercados especializados. À tarde, um estudo sobre a produção no Distrito Federal detalhou a concentração da área plantada e abriu discussão técnica sobre a formação de um possível terroir regional.
Na programação da manhã, a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, afirmou que o café deve ser tratado como alimento em todas as etapas da cadeia. Segundo ela, práticas adequadas de manejo, pós-colheita e armazenamento influenciam diretamente a qualidade da bebida e podem reduzir riscos ligados à presença de fungos e toxinas.
A pesquisadora também destacou estratégias de agregação de valor, como fermentações controladas, valorização da origem e comercialização dentro da propriedade. Em um dos exemplos apresentados, a cafeicultura de Rondônia saiu de produtividade média de 7 sacas por hectare para cerca de 60 sacas por hectare em 20 anos, segundo dados citados pela Embrapa Café.
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Na segunda palestra, a barista Juliana Morgado, representante do Brasil no World Brewers Cup 2026, em Bruxelas, entre 25 e 27 de junho, destacou que competições internacionais ajudam a difundir a diversidade sensorial dos cafés brasileiros e podem ampliar a conexão entre produtores e consumidores. De acordo com ela, o ambiente exige domínio técnico sobre origem, processamento, composição da água e métodos de extração.
À tarde, a Universidade de Brasília (UnB) apresentou resultados do projeto de diagnóstico da qualidade química e sensorial de cafés produzidos no Distrito Federal. Segundo a pesquisadora Lívia Lacerda, os seis maiores produtores respondem por cerca de 95% da produção reportada, enquanto Paranoá, Planaltina, Sobradinho II e Gama concentram aproximadamente 85% da área plantada.
O estudo reúne análises de solo, dados climáticos, avaliações físicas, químicas e sensoriais, além de percepção do consumidor. A base técnica, segundo a pesquisa, pode orientar assistência técnica, manejo, posicionamento comercial e futuras ações para diferenciação de origem no mercado.
As próximas etapas do projeto devem aprofundar a avaliação de regiões produtoras, safras e materiais genéticos para medir com maior controle o efeito do território sobre a qualidade do café no Distrito Federal. Até a consolidação desses resultados, a discussão sobre terroir local segue em fase técnica de validação.
Fonte: embrapa.br
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