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GreenFarm 2026 movimenta Cuiabá com tecnologia, negócios e grandes debates do setor produtivo


Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento rural, crédito agrícola, segurança jurídica e a dependência brasileira de fertilizantes importados estiveram entre os principais temas debatidos nesta quarta-feira (27) em Cuiabá, durante a abertura da GreenFarm 2026. A feira, realizada no Parque Novo Mato Grosso, reúne tecnologia, negócios, inovação e entretenimento voltados ao agronegócio e segue até sábado (30).

Em sua terceira edição, o evento aposta em uma programação ampliada e na expectativa de público recorde para reforçar o protagonismo de Mato Grosso no cenário nacional do agronegócio. A estrutura montada ocupa cerca de 45 mil metros quadrados e reúne mais de 180 expositores e marcas com máquinas, tecnologias embarcadas e soluções para o campo.

Além da exposição de produtos e serviços, a feira concentra fóruns de discussão sobre os principais gargalos enfrentados pelo setor produtivo, desde o acesso ao crédito até os impactos das tensões internacionais sobre os custos de produção.

A presidente da GreenFarm, Randala Lopes, destacou que a proposta do evento é integrar diferentes segmentos ligados ao agronegócio e ampliar o espaço de negócios e conexões dentro da capital mato-grossense. “É uma mega estrutura. Tudo na GreenFarm é muito grande. Nós temos mais de 10 eventos simultâneos que vão acontecer aqui dentro dessa estrutura”, afirmou.

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Segundo ela, a feira reúne desde empresas de tecnologia, energia, internet e maquinários até startups, agricultura familiar e cadeias produtivas em expansão no estado. “Aqui as pessoas realmente enxergam a importância desse agronegócio que é a coluna vertebral do Brasil, a mola propulsora que faz o agronegócio acontecer no Brasil”.

Randala também ressaltou a presença de mais de 15 municípios na feira e projetos voltados ao fortalecimento de cadeias como leite, mel, café e cacau. “O GreenFarm chega para posicionar Cuiabá realmente como um polo econômico financeiro do agronegócio, para colocar essa capital do agro no circuito das grandes feiras nacionais”.

Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Cuiabá no centro das discussões do agro

Para o presidente do LIDE Mato Grosso, Igor Taques, a realização da GreenFarm fortalece o papel de Cuiabá dentro da economia estadual, especialmente pela concentração de empresas e grupos ligados à prestação de serviços para o agronegócio.

“Cuiabá por ser a capital precisa se colocar também como protagonista dessa pujança econômica que acontece no nosso estado”, disse à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com ele, a feira também contribui para geração de negócios e disseminação de conhecimento. “É importante termos uma feira como a GreenFarm que seja relevante, que faça negócio, que tenha exposições, que gere resultado para os seus expositores e que tenha também a difusão do conhecimento”.

A programação da feira também busca aproximar o setor produtivo de investidores, lideranças nacionais e representantes públicos em debates considerados estratégicos para o futuro do agronegócio brasileiro.

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Igor Taques destacou ainda que Mato Grosso vive um momento de transformação econômica, com avanço da verticalização da produção e crescimento da agroindústria. “Não é só agregar no valor da produção, não é só agregar na economia, é agregar no conhecimento”.

Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Fertilizantes e dependência externa preocupam setor

Após a abertura oficial, a programação seguiu com o Fórum LIDE Agro, que reuniu empresários, parlamentares, investidores e ex-ministros em debates sobre competitividade, investimentos e segurança jurídica. Entre os assuntos mais discutidos esteve a dependência brasileira da importação de fertilizantes e combustíveis, tema que voltou ao centro das preocupações do setor diante das tensões no Oriente Médio.

O ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Francisco Matturro, lembrou que o agro brasileiro já enfrentou outras crises, mas avaliou que o cenário atual exige atenção. “Essa crise que nós estamos vivendo é grave e foi agravada pela crise no Oriente Médio”.

Segundo ele, o Brasil depende diretamente da importação de fertilizantes e combustíveis refinados. “Eu espero que se abra logo o Estreito de Ormuz e a gente possa continuar recebendo a nossa produção”.

O agricultor Rui Prado também criticou a falta de investimentos na produção nacional de insumos. “Nós somos os grandes produtores de soja, de algodão e de milho, mas não produzimos adubo, não produzimos os defensivos”.

Para ele, o país precisa avançar além da produção de commodities. “O Brasil tem que entender que não adianta ser só o produtor das commodities, tem que ser também o produtor dos insumos que vão produzir as commodities”.

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Foto: Maruan Belo/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento rural domina debates

O endividamento agrícola e a necessidade de prorrogação das dívidas rurais também dominaram os debates ao longo do evento. Lideranças do setor cobraram medidas emergenciais para garantir crédito e financiamento da próxima safra.

O presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Alexandre Schenkel, afirmou que o aumento da inadimplência está diretamente ligado ao cenário econômico e aos juros elevados. “O Brasil está em um endividamento muito grande”, disse ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com Schenkel, os produtores enfrentam o desafio de manter a atividade produtiva mesmo diante do aumento das dívidas. “O produtor tem que fazer as contas, o produtor tem que fazer as suas economias e se manter produtivo ainda”.

O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, defendeu ações mais rápidas e estruturadas para atender os produtores. “O produtor realmente nesse momento precisa de um socorro, mas tem que ser um socorro muito bem estruturado para de fato atender e chegar na ponta final que é o produtor”.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou as exigências previstas para renegociação das dívidas rurais. “Tem que comprovar em duas safras, tem que pedir a certificação que houve ali uma situação de calamidade pública naquele município”, pontuou. Caiado frisou ainda que as regras dificultam o acesso dos produtores às medidas de renegociação. “Terá que trazer um laudo a mais de um técnico, de um laudo científico para poder prorrogar as suas dívidas”.

Já o ex-ministro Neri Geller defendeu maior participação do governo federal no apoio ao setor produtivo. “Alguma coisa tem que ser feita”. Conforme ele, o país precisa ampliar os recursos destinados à equalização dos juros e alongamento das dívidas rurais. “O que nós precisamos é de R$ 60 bilhões para equalizar as taxas de juros, para alongar as dívidas e fazer um próximo plano safra”.

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