Com o plantio da safra 2026/27 dos Estados Unidos em andamento, o mercado acompanha os efeitos do El Niño sobre a produtividade e o comportamento dos preços da soja e do milho. Segundo análise da consultoria Biond Agro, o fenômeno climático pode favorecer a produção norte-americana no curto prazo, mas ampliar os riscos para a safra brasileira nos próximos meses.
Os dados analisados pela consultoria mostram que, em anos de El Niño forte, os Estados Unidos registram ganho de 123% na produtividade, enquanto a Argentina apresenta avanço de 2%. No Brasil, o cenário é inverso, com queda de 9% na produção.
Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da consultoria, destaca que o mercado acompanha atentamente o impacto climático sobre a safra norte-americana neste momento, já que o plantio está em andamento no país.
“Se o clima favorecer o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, especialmente durante a floração e o enchimento de grãos, o mercado pode trabalhar com uma safra maior, cenário que tende a pressionar os preços em Chicago”, afirma.
A atenção do mercado deve se voltar ao Brasil no segundo semestre, período em que começa o plantio da soja, entre setembro e outubro. Segundo a análise, o principal risco está na distribuição irregular das chuvas em importantes regiões produtoras.
“O Sul pode ter mais umidade, mas Mato Grosso, Matopiba e parte do Centro-Oeste podem enfrentar chuva irregular, calor e veranicos no início da safra”, explica Isabella.
Na Argentina, o cenário tende a ser mais favorável. O plantio ganha força entre outubro e dezembro, e um El Niño forte costuma aumentar a umidade no país, contribuindo para a recuperação produtiva da soja e do milho.
O impacto do fenômeno climático sobre os preços pode mudar ao longo da temporada. No curto prazo, uma safra maior nos Estados Unidos tende a pressionar as cotações em Chicago. Mais à frente, porém, eventuais problemas climáticos no Brasil podem alterar a percepção do mercado.
“Se o Mato Grosso for muito afetado por atraso ou irregularidade das chuvas, isso pode virar um fator altista para as cotações, porque o estado é a grande janela do Brasil para o mundo na soja”, destaca a analista.
Segundo Isabella, em um cenário de maior risco climático para a produção brasileira, o mercado tende a incorporar um prêmio climático aos preços, refletindo a preocupação com possíveis perdas na oferta global da commodity.
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