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O preço dos alimentos continuará subindo em Mato Grosso?


Cesta básica atingiu novo recorde histórico e tem consumido mais de 50% do salário, desde ao menos o começo do maio

Na semana passada a Federação de Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-MT) anunciou que o preço da cesta básica chegou a R$ 913. É o pico, momentâneo, de uma série de altas que começou em março. Pela primeira vez, o preço dos alimentos básicos ultrapassou a barreira dos R$ 900, o maior valor que havia sido registrado. 

Isso significa que os mato-grossenses estão precisando gastar mais da metade de um de salário-mínimo para conseguir se alimentar com itens básicos – arroz, feijão, café, açúcar etc. 

A carne bovina já começou a precisar a ser substituída por uma opção menos cara. Mas esses alimentos não têm sido algozes na escala de preço. Aqueles que estão mais expostos à variação climática têm ficado mais caro. 

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O tomate teve alta de 14,95% na semana passada, chegando ao preço médio de R$ 13,47/kg. A batata registrou aumento de 9,04%, e a média semanal chegou a R$ 9,10/kg. 

Conforme a Instituto de Pesquisa Fecomércio (IPF), a baixa temperatura registrada nas principais lavouras provoca atrasos na maturação dos tomates, restringe a oferta e ocasiona o aumento de preços observado. 

 No caso da bata, a variação de preço pode estar relacionada à baixa oferta também. O fim da colheita da safra está associado às chuvas em algumas lavouras, que atrasam o processo de colheita do produto. 

O feijão teve aumento de 2,14%, e um pacote de 1kg custa em média, hoje, R$ 8,16. É outro item da cesta básica que sido afetado pela variação do clima. Todos esses alimentos e outros da lista básica tem sofrido alta constante, desde março, de acordo com as pesquisas semanais da Fecomércio. 

Tendência de alta

A sequência não deve parar por agora. A coordenadora de pesquisa do IPF, Laysa Avalos, diz que o impacto de produção elevaos preços para o consumidor ainda não foi totalmente absorvido pelo mercado. A tendência é que os preços continuem a subir por mais algum tempo, ainda indeterminado. 

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“Os dados sugerem que a pressão ainda não foi totalmente dissipada. A tendência recente permanece altista, principalmente porque alguns itens [da cesta básica] seguem muito sensíveis a oferta e sazonalidade, com apontamentos climáticos para o segundo semestre, como o El Niño, por exemplo. Porém, alimentos possuem comportamento bastante volátil, então, podem acontecer acomodações pontuais”, explica. 

Conforme a pesquisadora, a alta no preço tem ocorrido em todo o país, com variação de um local para outro. Os itens têm sido influenciados por fatores externos e internos. A condição climática é apontada como uma questão nacional, o câmbio do dólar aparece como um peso internacional. 

Mas Mato Grosso um fator próprio pesa na cadeia de preços. O custo da logística, o transporte de alimentos de um lugar para outro, que contém produtos como combustível e infraestrutura, que ajudado na inflação mais alta. 

“Apesar de ser grande produtor agropecuário, boa parte dos alimentos consumidos nas cidades depende de cadeias de distribuição, processamento e transporte. A maioria dos itens consumidos no varejo urbano não é produzida no Estado. Além, há longas distâncias logísticas e forte dependência do modal rodoviário”, comentou Laysa Avalos. 

Segundo a pesquisadora, os preços se mantiveram estáveis em Mato Grosso até fevereiro. Em março, começou a ficar mais forte a alta nos preços e no mês passado, a curva se manteve na crescente. Em Cuiabá, por exemplo, o preço tem permanecido em nível elevado nesse período, em detrimento da renda que não cresce. 

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agro.mt

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