O Dia Nacional do Calcário Agrícola será lembrado esse ano pelos números tímidos de aplicação desse corretivo de acidez do solo. O consumo de 2025, na casa dos 61, 3 milhões de toneladas, ficou bem próximo do de 2024, que atingiu 59,6 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados essa semana pela Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal).
Embora as terras ácidas predominem nos espaços de plantio, há uma defasagem de aproximadamente 30% no uso de calcário. O ideal era uma aplicação nacional de 80 milhões de toneladas anuais. A acidez afeta a produtividade no campo e a lucratividade do negócio.
A produtividade acaba afetada diante desse salto de apenas 2,8% na comparação entre os dois anos. Produzir mais na mesma área evita a necessidade de abertura de novos espaços de cultivo.
O Dia do Calcário é festejado em 24 de maio, reforçando sua importância para o salto que o Brasil teve como produtor agrícola global. Os avanços nas colheitas nos últimos 40 anos resultaram de práticas como a correção da acidez – principalmente em áreas de Cerrado.
Custo de produção e fertilizantes
O custo de produção tem sido uma das causas do consumo menor. Os fertilizantes, por exemplo, vivem um momento de menor aplicação – em razão de dificuldades ocasionadas pelos conflitos na Ucrânia e na região do Estreito de Ormuz.
“Na produção, a adubação mineral, por exemplo, significa 40% dos custos dos insumos. O adubo tem o preço atrelado à cotação do dólar e dependência de fornecimento importado. Já o calcário é um insumo nacional, com baixo custo, além de potencializar os efeitos dos adubos”, avalia Jairo Hanasiro, engenheiro agrônomo e especialista em nutrição de plantas.
Também estimula o crescimento radicular, o que protege a planta em períodos de estiagem. Ainda gera pastagens em melhores condições.
Para o presidente da Abracal, João Bellato Júnior, o pequeno produtor é o principal prejudicado. As grandes frentes agrícolas nacionais, no Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, são os maiores consumidores de calcário. São Paulo aparece a seguir no ranking do consumo.
“Temos sugerido ao Ministério da Agricultura que a calagem, que é a técnica de aplicação de calcário, seja incentivada no Plano Safra. Nossas indústrias associadas também podem ajudar nesse processo, juntamente com a orientação técnica de um agricultor”, avalia Bellato.
Clique aqui e conheça as estatísticas nacionais e por estado de consumo de calcário em 2025.
Fonte: Abracal
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