Categories: Featured

STF valida lei que reduziu área de parque para passagem da Ferrogrão ligando Mato Grosso ao Pará


O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou válida, nesta quinta-feira (21), a lei que reduziu a área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para a construção da Ferrogrão, ferrovia que vai ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA). 

A ferrovia deve potencializar a escoação de grãos produzidos em Mato Grosso com destino ao Pará para exportação.

A posição segue entendimento do Ministério Público Federal (MPF), que apontou que o projeto ainda está em fase de estudos iniciais e que os impactos do empreendimento poderão ser avaliados de forma mais adequada em etapas posteriores.

A decisão do STF não faz uma análise da viabilidade ambiental do projeto e reafirma que ele deve seguir todos os procedimentos de licenciamento ambiental, como está previsto na lei e como também pontuou o MPF. A determinação ainda abre ao Poder Executivo a possibilidade de compensar a área reduzida do parque por meio de decreto.

Advertisement

O caso – Com 933 quilômetros de extensão e capacidade inicial para transportar até 42 milhões de toneladas de soja, milho e outros grãos por ano, a Ferrogrão vai interligar Sinop, no Mato Grosso, ao porto de Miritituba, em Itaituba (PA).

Para permitir a passagem dos trilhos, a Lei 13.452/2017, resultado de conversão de medida provisória, reduziu em 862 hectares a área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. A unidade de conservação tem mais de 860 mil hectares, protege espécies ameaçadas (como onças-pintadas, ariranhas e diversos tipos de primatas) e está numa região que sofre intensa pressão do desmatamento.

Como medida de compensação, a medida provisória original previa o acréscimo ao parque de 51 mil hectares pertencentes à Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, unidade de conservação de uso sustentável, com grau de proteção inferior ao parque nacional. Mas o ganho foi retirado do texto final no momento da conversão da MP em lei, o que levou à redução da área do parque. Ao mesmo tempo, a Constituição exige lei ordinária para diminuição de áreas protegidas.

Quando a norma foi questionada no Supremo, os estudos relativos à ferrovia foram suspensos por liminar, e o processo seguiu para o Centro de Soluções Alternativas de Conflitos. Os diálogos travados na esfera de conciliação contaram com a participação de diversos atores e levaram à revisão do traçado da ferrovia, que, segundo informações do Ministério dos Transportes, agora corre pela faixa de domínio da BR-163, o que evitaria redução na área do parque. A retomada dos estudos foi autorizada em 2023 pelo relator do caso no Supremo, ministro Alexandre de Moraes.

Advertisement
agro.mt

Recent Posts

Reforma para o Estado estratégico e eficiência pública na era digital

Na Era Digital, o tempo do Estado burocrático não é o tempo da vida. A…

28 minutos ago

Apesar dos danos climáticos, produção de canola no RS deve crescer mais de 78% – MAIS SOJA

Canola: As lavouras estão predominantemente em maturação e colheita. O excesso de chuvas, o granizo…

37 minutos ago

VÍDEO: avião é incendiado após perseguição e tentativa de interceptação pela FAB em MT

Queda ocorreu há cerca de 80 km da área urbana da cidade, na Fazenda Monte…

59 minutos ago

Otaviano Pivetta diz que aposta na vitória de Flávio Bolsonaro “para economia virar a chave”

Governador vê maior estímulo para investimento no Brasil em uma economia liberal e Mato Grosso…

1 hora ago

Plantio direto reforça legado do Paraná na conservação do solo

O Dia Nacional do Plantio Direto, celebrado nesta sexta-feira (23), marca uma das principais transformações…

2 horas ago

Semeadura do milho atinge 78% no RS em ritmo desigual entre as regiões – MAIS SOJA

A semeadura de milho avança em ritmo desigual. Há áreas próximas da conclusão e outras,…

2 horas ago