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Mulheres quilombolas transformam babaçu em renda, autonomia e oportunidade


Foto: Carolina Motoki/Assembleia Legislativa do Estado do Pará

Da floresta para a agroindústria, o babaçu deixou de ser apenas um recurso de subsistência para se tornar símbolo de empreendedorismo, valorização cultural e geração de renda em comunidades quilombolas do Maranhão. Uma iniciativa apoiada pela Embrapa mostra como a bioeconomia pode unir tradição, sustentabilidade e desenvolvimento social.

A experiência acontece na comunidade quilombola de Pedrinhas, onde mulheres quebradeiras de coco se organizaram para criar uma agroindústria baseada no aproveitamento integral do babaçu.

A presidente do Clube de Mães, Maria José Machado conta que a associação surgiu em 1989 como um clube de mães formado por mulheres quebradeiras de coco. Atualmente, cerca de 15 trabalhadoras atuam na produção de alimentos e derivados do babaçu, transformando um saber tradicional em atividade econômica sustentável.

Entre os produtos desenvolvidos estão sorvetes, bolos, pães, biscoitos, pudins e até hambúrgueres feitos a partir do babaçu.

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Tradição passada entre gerações

O trabalho com o babaçu atravessa gerações e carrega forte valor afetivo e cultural. Muitas das mulheres aprenderam a quebrar coco ainda na infância, acompanhando as mães no trabalho no mato.

A gestora da Agroindústria Clube de Mães, Antônia Vieira relata que, antigamente, o coco tinha pouco valor comercial e era usado principalmente em trocas por alimentos básicos, como arroz e feijão. Hoje, ela vê uma mudança significativa no reconhecimento do produto e da profissão.

“Fui criada através do babaçu, a minha mãe era quebradeira de coco. Eu me sinto muito orgulhosa. Todos os lugares que eu chego me apresento como quebradeira de coco, porque eu sou uma quebradeira de coco”, destaca.

Além da geração de renda, a atividade representa autonomia financeira para as mulheres da comunidade, que passaram a depender menos de trabalhos domésticos em outras casas para sustentar as famílias.

Pesquisa e capacitação ampliaram produção

O crescimento da agroindústria ocorreu a partir de cursos de capacitação promovidos pelo Sebrae e do apoio técnico da Embrapa.

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Entre as inovações estão leite e queijo vegetal de babaçu, além de versões veganas de alimentos tradicionais. Segundo as trabalhadoras, as oficinas e pesquisas ajudaram a melhorar a qualidade dos produtos e ampliar a renda da comunidade.

Hoje, a agroindústria possui o selo quilombola e o selo “Gosto do Maranhão”, certificações que valorizam a produção artesanal e fortalecem a identidade regional dos alimentos.

Artesanato e sustentabilidade

O aproveitamento do babaçu vai além da alimentação. A palha, antes utilizada apenas para cobrir casas, passou a ser transformada em artesanato.

Flores decorativas, cestos e outros itens são produzidos pelas mulheres e utilizados inclusive na apresentação dos produtos em feiras e eventos. A iniciativa reforça o conceito de bioeconomia ao utilizar recursos naturais de maneira sustentável e com geração de valor local.

Futuro e expansão

A associação também busca envolver jovens e adolescentes da comunidade no trabalho da agroindústria, garantindo continuidade ao conhecimento tradicional e fortalecendo a economia local.

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O grande sonho das produtoras é ver os produtos de Pedrinhas chegando aos supermercados de cidades maiores, como São Luís. “Meu sonho é entrar num supermercado e ver nossos produtos lá”, diz Maria José.

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agro.mt

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