A área plantada de soja em Mato Grosso e Rondônia cresceu 294 mil hectares na safra 2025/26 em relação ao ciclo anterior, segundo dados da série Mapas Agro, da Serasa Experian, divulgados nesta quinta-feira (21). Desse total, 268 mil hectares foram adicionados em Mato Grosso e 26 mil hectares em Rondônia. O levantamento, feito com base em imagens de satélite, também indicou alta de 13% na área de milho de primeira safra nos dois estados.
Em Mato Grosso, a área cultivada com soja atingiu cerca de 12,4 milhões de hectares na safra 2025/26. Segundo a Serasa Experian, grandes propriedades concentram aproximadamente 60% da área semeada no estado, enquanto pequenas propriedades respondem por 18%. Os maiores avanços ocorreram em Paranatinga, com 21,9 mil hectares, Novo São Joaquim, com 12,5 mil hectares, Nova Mutum, com 12,4 mil hectares, Campo Novo do Parecis, com 12,3 mil hectares, e Marcelândia, com 11,8 mil hectares. Em sentido oposto, 20 municípios tiveram retração superior a mil hectares, com destaque para Alta Floresta, onde a redução foi de 6% ante a safra anterior.
Em Rondônia, a área plantada chegou a cerca de 730 mil hectares, com expansão acumulada de 84,4% nos últimos seis ciclos. O perfil fundiário é mais distribuído do que em Mato Grosso: pequenas propriedades concentram 44% da área de soja e grandes imóveis rurais, 38%. Os maiores aumentos absolutos foram registrados em Alto Paraíso, com 4,9 mil hectares, Porto Velho, com 4,2 mil hectares, Candeias do Jamari, com 3,6 mil hectares, Pimenteiras do Oeste, com 2,9 mil hectares, e Cujubim, com 2,5 mil hectares.
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O levantamento também mostra avanço da integração entre produção e conformidade regulatória. Em Mato Grosso, 97% da área de soja está cadastrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em Rondônia, a adesão chega a 93%, embora cerca de 48 mil hectares permaneçam fora do sistema. No estado, aproximadamente 410 mil hectares estão em imóveis submetidos às novas exigências de monitoramento previstas na Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 5.267, com acompanhamento por sensoriamento remoto em propriedades acima de 300 hectares.
Segundo Dyego Santos, gerente de soluções agro da Serasa Experian, o uso de imagens de satélite amplia a capacidade de acompanhar conformidade, evolução das áreas agrícolas e risco das operações de crédito ao longo do ciclo produtivo.
Os dados indicam que a expansão da soja segue ativa em polos consolidados e em novas fronteiras agrícolas, mesmo com maior seletividade no financiamento. O levantamento não detalha, porém, qual parcela desse avanço foi sustentada por capital próprio, renegociação ou outras fontes de custeio, o que limita uma avaliação mais precisa sobre o efeito financeiro do crédito restrito na safra.
Fonte: Estadão Conteúdo
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