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Consórcio transforma milho em ração, lucro e expansão no campo em Querência


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A produção de milho em Querência, no Vale do Araguaia, deixou de ser apenas uma commodity para se tornar a base de um sistema integrado de rentabilidade. Ao transformar parte da colheita em alimentação para o gado, produtores rurais da região conseguem reduzir custos operacionais e aumentar a margem de lucro. A estratégia, que une criatividade no manejo e apoio financeiro, tem sido o motor para a expansão dos negócios locais.

O produtor rural Jorge Erthal Sehn personifica essa evolução. Com uma trajetória marcada pela superação, ele relembra que o começo no Rio Grande do Sul foi distante das lavouras. “Para ajudar nas despesas de casa e comprar leite para o meu filho, eu vendia jornal no semáforo. Depois comecei a vender verduras de porta em porta. Foi uma fase difícil e que eu lembro todos os dias”, recorda.

A chegada a Mato Grosso ocorreu em 2002, enfrentando o desafio de produzir em terras arrendadas e com infraestrutura precária. Jorge conta que o crescimento foi gradual e exigiu resiliência da família. “Começamos com 300 hectares de arroz. Meu irmão fazia a colheita e eu puxava caminhão no atoleiro para conseguir tirar a produção. Fomos crescendo devagar, enfrentando dificuldades, até chegar ao que temos hoje”, explica ao projeto Mais Milho.

Atualmente, a família cultiva 1,3 mil hectares de soja e milho, apostando na integração entre agricultura e pecuária para aumentar a rentabilidade dentro da própria fazenda. O objetivo é fazer com que a propriedade seja autossuficiente e menos dependente das oscilações do mercado externo. Parte do grão colhido é processado e destinado ao confinamento, que hoje abriga cerca de 1,2 mil cabeças de gado.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Integração e valor agregado no campo

A lógica aplicada na propriedade busca a sustentabilidade econômica através do aproveitamento integral da produção. Ao invés de comercializar todo o grão, o produtor opta por converter a safra em proteína animal.

“A gente resolveu agregar valor transformando o que a fazenda produz em carne. Hoje buscamos fazer a propriedade ser sustentável, trabalhando com margem apertada, mas positiva”, detalha Jorge.

O manejo é focado em levar o alimento até os animais de forma eficiente. A silagem, o feno e boa parte da alimentação do rebanho são produzidos dentro dos limites da fazenda. “Ao invés de levar a pecuária para a lavoura, nós levamos o alimento até os animais. Produzimos o capim, a silagem e transformamos isso em carne”, afirma o produtor.

O processo de sucessão familiar também trouxe inovação e foco na redução de desperdícios. Jean Michel Neukamp Sehn destaca que a lucratividade começa com a reinvenção do que já está disponível na propriedade. “A sucessão é desafiadora. Então precisamos reinventar o que já existe e buscar estratégias novas. A lucratividade começa aproveitando bem o que a gente já tem”, observa.

Criatividade e proteção da lavoura

A criatividade foi fundamental para ampliar a estrutura de produção sem gastos excessivos. O que seria sucata foi transformado em uma fábrica de ração funcional, permitindo que o confinamento dobrasse de tamanho. Jean Michel explica ao Canal Rural Mato Grosso que o olhar atento aos detalhes faz a diferença: “Muitas vezes tem um trenzinho lá parado que era do avô e não usa mais, você pode utilizar ele para começar dar o start”.

Além da eficiência na ração, a segurança contra prejuízos causados por animais silvestres entrou no radar de investimentos. Cercas elétricas foram instaladas para conter ataques de queixadas, que geravam perdas significativas de até 20 hectares de milho por ano. O sistema de baixo custo resolveu o problema de forma sustentável, sendo removido após a colheita.

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“Tivemos uma ideia e decidimos fazer um investimento em cerca elétrica, onde temos um resultado satisfatório, com custo baixo. Afastamos o animal da propriedade no período em que ele nos causa prejuízo e, no momento da colheita, a gente recolhe a cerca e deixa ele andar no habitat dele de novo”, relata Jorge.

Planejamento financeiro para expansão

Por trás do crescimento físico da fazenda existe um planejamento financeiro que utiliza o consórcio como ferramenta de alavancagem. Por meio de cooperativas de crédito, o produtor conseguiu ampliar a área da propriedade sem comprometer o fluxo de caixa imediato. A modalidade permite acesso a crédito com taxas de administração atrativas para aquisição de imóveis e implementos.

Segundo o gerente de operações do Sicredi, Gilmar Ramos de Rezende, o consórcio é vantajoso para o produtor rural por oferecer prazos longos. “O consórcio hoje permite que o produtor consiga acesso a uma linha de crédito mais em conta, com taxas de administração hoje de 8% a 9% a partir do prazo de vigência da carta”, destaca.

O gerente da cooperativa de crédito Robson da Silva Muniz complementa que o diferencial está no atendimento exclusivo aos associados. “O nosso consórcio é vendido só para os nossos associados. Isso favorece mais ainda na taxa de administração, nos lances, então a gente não tem concorrentes de fora”, afirma Robson.

Jorge Erthal Sehn vê no planejamento a segurança necessária para projetos futuros, como a construção de armazéns e a ampliação do confinamento. “O valor do consórcio cabe no bolso. É o fôlego que a gente precisa. Todo produtor rural está precisando disso um pouco, e vai da rentabilidade e eficiência de cada um. Para mim está sendo um bom negócio”, conclui.

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