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Tratar a doença, não os sintomas: O que falta para o Brasil governar o próprio futuro


Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Brasil padece de uma cegueira estratégica crônica. Somos uma potência continental por natureza e uma promessa adiada por escolha política. Dispomos de segurança alimentar garantida o ano todo, matriz energética invejável, vastas reservas de petróleo e os minerais críticos e terras raras que o mundo disputa para a transição tecnológica.

Ainda assim, patinamos em taxas de crescimento medíocres, juros escorchantes e uma concentração de renda que sufoca o mercado interno. Por que um país que tem tudo continua sem entregar o básico?

“O debate econômico em Brasília se resume a uma eterna e ineficiente redistribuição de fatias de um bolo que não cresce.”

A resposta está na incapacidade do nosso Executivo e do nosso Legislativo de diferenciarem a causa da consequência. O debate econômico em Brasília se resume a uma eterna e ineficiente redistribuição de fatias de um bolo que não cresce.

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De um lado, criam-se puxadinhos tributários, isenções fiscais para setores corporativos amigos e subsídios temporários. Do outro, aumenta-se a carga de impostos sobre quem produz e consome para fechar as contas de um Estado que gasta mal. Essas medidas são placebos. Tratam os efeitos colaterais de uma doença estrutural, mas mantêm o paciente na UTI.

O X da questão reside na governança e na qualidade do nosso debate público. Enquanto o Parlamento for dominado pelo populismo de engajamento, onde fenômenos de votos vazios de conteúdo orgulham-se de não saber o que faz um deputado, as reformas de base serão preteridas por pautas de curtíssimo prazo e forte apelo digital.

O voto folclórico custa caro. Ele cobra o seu preço na ausência de projetos de Estado e na incapacidade de planejar o país para as próximas décadas, limitando o horizonte nacional ao próximo ciclo eleitoral.

“Atacar a raiz da doença brasileira exige estabelecer regras do jogo que mirem a essência dos nossos gargalos.”

Atacar a raiz da doença brasileira exige estabelecer regras do jogo que mirem a essência dos nossos gargalos. Isso significa focar em três pilares inegociáveis:

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  • Segurança Jurídica e Simplificação Real: O investidor, nacional ou estrangeiro, foge de regras que mudam no meio do caminho. Reduzir o Custo Brasil não é dar benefício para uma empresa escolhida, mas sim criar um ambiente onde qualquer empreendedor gaste tempo inovando, e não decifrando burocracias.
  • Infraestrutura e Integração Logística: Não basta produzir alimentos e minérios se o escoamento consome a margem de lucro em estradas esburacadas e ferrovias inexistentes. A expansão dos setores promissores depende de investimentos pesados e de longo prazo em logística.
  • Educação Voltada para a Produtividade: A riqueza de uma nação moderna não está apenas no subsolo, mas na cabeça do seu povo. Sem mão de obra qualificada para processar nossas terras raras e tecnologia para verticalizar nossa produção, continuaremos exportando matéria-prima bruta e importando produtos de alto valor agregado.

“O Brasil não precisa de mais remendos; precisa de diagnóstico correto e cirurgia estrutural.”
O Executivo e o Congresso precisam parar de gerenciar o caos com analgésicos fiscais. O Brasil não precisa de mais remendos; precisa de diagnóstico correto e cirurgia estrutural.

É hora de o Parlamento assumir a responsabilidade de formular uma estratégia de Estado que transforme o nosso gigantismo geográfico em prosperidade real e compartilhada. Chega de tratar os sintomas. Precisamos, urgentemente, curar as causas da nossa estagnação.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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