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Microrganismos da Caatinga, adaptados a condições extremas, podem gerar bioinsumos eficazes em condições de seca e baixa fertilidade do solo – MAIS SOJA


Solos que suportam meses sem chuva, temperaturas que ultrapassam 40°C e radiação solar intensa: as condições extremas da Caatinga, que limitam a agricultura convencional no semiárido brasileiro, são justamente as que tornam sua microbiota singular do ponto de vista biotecnológico. Microrganismos que sobrevivem neste ambiente desenvolvem adaptações raras, como produção de compostos protetores, eficiência metabólica mesmo em condições de escassez extrema e capacidade de entrar em dormência por meses, voltando à atividade com as primeiras chuvas. É exatamente esse repertório que a ciência começa a enxergar como ponto de partida para uma nova geração de bioinsumos agrícolas.

O interesse cresce à medida que o setor produtivo busca alternativas para culturas em regiões com baixa disponibilidade hídrica e solos pobres em nutrientes. Segundo dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), o bioma ocupa cerca de 11% do território nacional, influenciando diretamente a produção agropecuária de mais de 27 milhões de pessoas em nove estados. Apesar disso, a Caatinga permanece como um bioma menos estudado sob o ponto de vista biotecnológico, o que lhe confere um enorme potencial para descobertas inéditas.

É nesse cenário que a Apoena Agro, divisão agrícola da Apoena Biotech, empresa de biotecnologia paulista, realizou sua primeira expedição de bioprospecção na Caatinga, no último mês de março. A iniciativa representa a expansão de uma plataforma de pesquisa que já explorou ambientes como a Amazônia e o arquipélago de Fernando de Noronha, resultando em um banco com mais de 900 cepas de microrganismos, que servem como base para a formulação de bioinsumos com diferentes aplicações agrícolas.

A bioprospecção na prática

A bioprospecção consiste na busca sistemática por microrganismos em ambientes naturais, envolvendo a coleta, o isolamento, a caracterização e o mapeamento das suas funções. Com isso, desenvolvem-se novos produtos com aplicações diversas, como os bioinsumos desenvolvidos pela Apoena Agro. Na Caatinga, esse processo foi dividido em duas etapas: foram coletadas 98 amostras durante a estação chuvosa, entre janeiro e março, e serão coletadas mais amostras na estação da seca, de junho a dezembro, com potencial de isolar cerca de 200 cepas em cada período.

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“A alternância de climas, combinada com solos pobres e temperaturas extremas, forçou os microrganismos locais a desenvolver mecanismos de sobrevivência incomuns: alguns conseguem entrar em estado de dormência durante meses e voltar à atividade assim que a umidade retorna, enquanto outros decompõem matéria orgânica de difícil degradação ou contribuem para a fixação de nitrogênio no solo”, explica Patrícia Mendes, diretora de desenvolvimento de negócios e estratégia comercial da Apoena Agro.

Os pontos de coleta incluem a zona ao redor das raízes, as crostas biológicas superficiais do solo, tecidos internos de plantas nativas, fendas de rochas e solos sob arbustos. Do ponto de vista biotecnológico, o interesse recai sobre cepas capazes de induzir resistência à seca nas plantas hospedeiras, alternar fontes de energia em condições de escassez e produzir compostos de proteção celular raramente encontrados em outros biomas.

Todo o processo foi autorizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em conformidade com a legislação brasileira de acesso à biodiversidade. O conhecimento gerado será compartilhado com a comunidade científica, ampliando os estudos sobre a biodiversidade nacional.

Da coleta ao desenvolvimento

Para que as amostras coletadas se transformem em bioinsumos, há um longo caminho. O primeiro passo é mapear o material genético presente nas amostras sem precisar cultivar cada microrganismo individualmente, o que orienta o trabalho laboratorial com mais precisão. As cepas isoladas são então investigadas por técnicas ômicas, e triadas com base na literatura por características de interesse agrícola, como promoção de crescimento vegetal, fixação de nitrogênio, resistência a seca, solubilização de fosfato e biossíntese de fitohormônios.

A partir desse filtro, é criado um mapa genômico para as cepas de interesse, tornando possível realizar uma avaliação in silico, na qual os genes do microrganismo analisados são comparados com estirpes-tipo e estirpes de referência, permitindo avaliar seu potencial de aplicação e mercado. Após essa etapa de seleção molecular, são conduzidos ensaios em bancada para confirmar a expressão e a ativação dos genes de interesse. O potencial agronômico é, então, constatado por uma sucessão de análises laboratoriais, avançando para os testes pré-industriais, que visam avaliar a multiplicação desses microganismos em ambiente fabril.

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Esse processo sequencial desenvolvido pela empresa, aliado à experiência consolidada no registro de diferentes soluções biológicas junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), contribui para reduzir o intervalo entre a etapa de bioprospecção e o lançamento efetivo dos bioinsumos no mercado.

“Esperamos, por meio dessa expedição, desenvolver especialmente bioestimulantes e biofertilizantes para regiões onde a seca e a baixa fertilidade do solo são os principais desafios da produção agrícola”, continua a diretora.

Modelo B2B e próximos passos

Com a incorporação das cepas da Caatinga, o banco exclusivo da Apoena Agro deve superar 1200 microrganismos. Até o final de 2026, a empresa planeja ampliar ainda mais esse acervo, chegando a mais de 2 mil microrganismos, com novas expedições em outros biomas brasileiros.

Atuando inteiramente no modelo B2B, a Apoena Agro fornece bioinsumos prontos para comercialização a indústrias de insumos agrícolas, conduzindo internamente todo o processo: da bioprospecção ao desenvolvimento, testagem e registro. Para sustentar esse ciclo, destina 5% do faturamento anual a pesquisa e desenvolvimento, investimento que deve ser traduzido em novos lançamentos ainda este ano.

“O Brasil abriga mais de 20% das espécies conhecidas no planeta, e boa parte desse patrimônio ainda é cientificamente inexplorado. Desenvolver bioinsumos a partir dessa biodiversidade é uma forma de transformar a riqueza biológica do país em soluções reais para um agronegócio mais resiliente, produtivo e em equilíbrio com o meio ambiente”, conclui Patrícia Mendes.

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Sobre a Apoena Agro

Criada em 2025, a Apoena Agro é a divisão da Apoena Biotech voltada especialmente para atender às demandas do setor agrícola com foco, identidade própria e soluções biotecnológicas de alta performance,

Desde 2018, a Apoena Biotech desenvolve soluções sustentáveis para setores como higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, tendo como matéria-prima a biodiversidade do Brasil: país com maior diversidade de espécies do mundo, abrigando mais de 20% das espécies conhecidas no planeta.

Com a Apoena Agro, a empresa expande sua atuação e se destaca na formulação de soluções sustentáveis para o campo. Para isso, conta com uma plataforma própria de bioprospecção, que explora a diversidade microbiana de biomas brasileiros, como a Amazônia e o arquipélago de Fernando de Noronha, para identificar microrganismos com potencial de aprimorar o manejo agrícola, promover a saúde do solo e contribuir para o aumento da produtividade das culturas.

Esse trabalho resultou em um banco exclusivo com mais de 900 cepas de microrganismos que impulsionam o desenvolvimento de bioinsumos agrícolas como inseticidas, fungicidas, nematicidas, inoculantes microbiológicos e promotores de crescimento de planta. Os produtos atendem tanto à agricultura orgânica quanto ao manejo integrado de pragas e doenças na agricultura convencional.

Em 2024, a empresa figurou como a quarta que mais registrou defensivos biológicos no Brasil, com cinco produtos aprovados. Atualmente, seu portfólio conta com sete produtos registrados, sendo três biofungicidas, dois bioinseticidas e dois bioinseticidas/bioacaricidas. Atualmente, outros produtos estão em processo de registro e novos lançamentos estão previstos para 2026. Esse resultado reforça o compromisso da empresa em destinar 5% do faturamento anual à pesquisa e desenvolvimento, com a inovação como pilar estratégico.

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Com a Apoena Agro, a biotecnologia deixa de ser tendência para se tornar realidade no campo, marcando o início de uma nova era para a agricultura brasileira.

Saiba mais em www.apoenaagro.com.br

Fonte: Asessoria de imprensa


agro.mt

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