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Setor produtivo de Mato Grosso vê barreira comercial em decisão da União Europeia


Foto: Sistema Famato/Reprodução

O setor produtivo de Mato Grosso avalia com cautela e equilíbrio a recente decisão da União Europeia de suspender a importação de proteínas animais do Brasil. As principais lideranças do estado enxergam a medida como uma possível barreira comercial disfarçada de exigência sanitária, uma vez que o setor já adota controles rigorosos. O foco das entidades agora está em evitar o oportunismo da indústria nos preços e em reforçar a parceria com grandes players, como a China.

A posição das associações mato-grossenses surge após o bloco europeu excluir o Brasil, no último dia 12 de maio, da lista de países autorizados a exportar carnes, ovos e animais. A justificativa oficial é o não cumprimento de regras contra o uso de antibióticos e antimicrobianos como promotores de crescimento. A restrição passa a valer em setembro e ocorre logo após o início do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, em 1º de maio.

Para os produtores locais, a exclusão do Brasil, enquanto vizinhos como Argentina e Colômbia foram mantidos, levanta suspeitas sobre as reais motivações do bloco. O setor produtivo de Mato Grosso defende que a qualidade e a sustentabilidade da produção estadual são as garantias para superar o desafio. Além disso, destacam que a dependência do mercado europeu é baixa se comparada ao volume absorvido pelos 165 países que compram a carne brasileira.

A estratégia agora é aguardar a atuação técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para esclarecer possíveis mal-entendidos sanitários. Caso a questão técnica não avance, os produtores cobram uma postura diplomática firme para garantir o respeito aos acordos comerciais. O sentimento geral entre os criadores é de confiança na competitividade mato-grossense, acreditando que a demanda internacional, especialmente a asiática, continuará firme no segundo semestre.

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Avaliação da pecuária e mercado externo

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, afirma que a notícia pegou o país de surpresa, mas ressalta que a União Europeia representa pouco mais de 3% das exportações. Para ele, o foco deve ser a manutenção do bom contato com outros mercados, como a China, maior comprador do setor. Conte alerta ainda que o mercado não deve aceitar pressões antecipadas da indústria para a redução dos preços pagos aos produtores.

“O mercado europeu não representa tanto assim para nós. Exportamos para 165 países. A China é de longe o nosso maior país exportador. Então acho que a gente precisa se concentrar e conduzir isso com bastante calma. Não pode haver por parte da indústria agora um oportunismo de tentar baixar preço antes mesmo dessa medida entrar em vigor”, destaca Luís Fernando Conte em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

Para o presidente da Acrimat, a capacidade técnica brasileira é suficiente para sanar as dúvidas europeias, mas a diplomacia precisa estar atenta a interesses comerciais ocultos. “Vamos avaliar se por trás disso tem de fato alguma questão sanitária ou se tem alguma coisa, uma barreira comercial e aí a gente precisa diplomaticamente também impor algumas regras. O Ministério tem a capacidade de solucionar”, afirma o dirigente.

Foto: Embrapa Suínos e Aves

Competitividade e barreiras comerciais

O setor de suinocultura também manifestou preocupação, mas reforça que as imposições europeias sobre o uso de antimicrobianos já fazem parte do controle rigoroso adotado em Mato Grosso. O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, avalia que o Brasil é alvo constante de sanções justamente por sua alta competitividade em preço e qualidade, o que incomoda os mercados concorrentes.

Tannure Filho frisa que o produtor mato-grossense faz o dever de casa e que o mundo não pode prescindir do que é produzido no estado. “O mundo precisa do Brasil, o mundo precisa do Mato Grosso, o mundo precisa do nosso produto. Os Estados Unidos impuseram toda aquela questão tarifária e o Brasil seguiu vendendo normalmente. Na suinocultura não é diferente. Entra ano, sai ano, nós somos bombardeados”, explica o presidente da Acrismat ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com o presidente da associação, a saída será o aprimoramento dos controles para provar a excelência sanitária da suinocultura local. “Essa condição que a União Europeia está colocando de um controle mais rigoroso no uso de promotor de crescimento, de antimicrobianos nós já fazemos isso. Então nós vamos melhorar ainda mais o controle disso e assim vamos conseguir contornar a situação”, conclui Frederico Tannure Filho.

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