A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) decidiu instaurar um procedimento administrativo disciplinar para investigar mensagens trocadas entre estudantes do curso de Direito. Nelas, aparecem referências a uma alegada “lista de alunas estupráveis” e comentários com clara intenção de assediar ou molestar colegas.
O episódio ganhou repercussão nesta terça-feira (5), depois que o Centro Acadêmico VIII de Abril, representante dos alunos de Direito, divulgou uma nota de repúdio nas redes sociais. A entidade classificou as conversas como extremamente graves, de caráter misógino e violento, totalmente incompatíveis com valores éticos, jurídicos e humanos.
De acordo com o centro acadêmico, as mensagens circulam entre os estudantes e não podem ser minimizadas como simples “brincadeira”. Para os representantes, o conteúdo revela banalização da violência sexual e a objetificação das mulheres.
Os alunos também lembram que o caso se soma a outros relatos de assédio na universidade. Em julho de 2025, a servidora Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, foi estuprada e assassinada dentro do campus, em um episódio que ainda marca a comunidade acadêmica.
Na segunda-feira (4), os estudantes realizaram uma assembleia geral para discutir o assunto. O caso foi encaminhado às autoridades competentes para investigação e eventual punição dos responsáveis.
Na nota, a instituição afirma repudiar veementemente qualquer forma de violência, misoginia ou violação de direitos humanos dentro da comunidade acadêmica. A UFMT reforça seu compromisso com um ambiente seguro, ético e respeitoso, especialmente no combate à violência de gênero.
A Faculdade de Direito informou que já tomou as medidas cabíveis, incluindo a instauração do procedimento administrativo para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos, conforme a legislação e as normas internas. A universidade se colocou à disposição das autoridades para colaborar nas investigações.
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