Após mais de duas décadas de negociações, o Acordo Mercosul–União Europeia entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º). O tratado prevê a redução gradual de tarifas para a maior parte dos produtos comercializados entre os dois blocos e deve impactar diretamente o agronegócio brasileiro.
Considerado o maior acordo já firmado pelo Mercosul, o pacto abre novas oportunidades para exportações, mas também aumenta a concorrência com produtos europeus no mercado interno.
Com a vigência inicial, cerca de 39% dos produtos agropecuários brasileiros exportados para a União Europeia passam a ter tarifa zero já no primeiro ano.
Ao longo do tempo, a tendência é de ampliação desse benefício. A União Europeia deve eliminar tarifas para aproximadamente 93% dos produtos do Mercosul em até 10 anos. Já o Mercosul fará o mesmo para cerca de 91% dos produtos europeus, em um prazo que pode chegar a 15 anos.
A redução tarifária tende a tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu. Por outro lado, itens importados da União Europeia também devem chegar ao Brasil com preços mais baixos.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o acordo cria um cenário de oportunidades, mas exige adaptação do setor.
Entre os principais desafios estão a necessidade de atender padrões sanitários, técnicos e ambientais rigorosos, que continuam sendo definidos pela União Europeia e não foram flexibilizados pelo acordo.
Mesmo com tarifas reduzidas, nem todos os produtos terão acesso automático ao mercado europeu.
A exportação depende do cumprimento de requisitos sanitários e da habilitação de estabelecimentos, como frigoríficos, além da aprovação por autoridades europeias.
Ou seja, a redução de tarifas melhora as condições comerciais, mas não substitui as exigências regulatórias.
Para evitar impactos bruscos, o acordo prevê regras específicas para setores considerados sensíveis.
Nesses casos, a abertura ocorre de forma gradual, com uso de cotas tarifárias e mecanismos de proteção, como salvaguardas, que permitem suspender benefícios em caso de prejuízo à produção local.
A CNA destaca que o acordo pode gerar oportunidades indiretas para pequenos e médios produtores, principalmente por meio de cooperativas e agroindústrias exportadoras.
Além disso, há previsão de cooperação técnica e valorização de produtos regionais.
Apesar de já produzir efeitos comerciais, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais dos países membros da União Europeia para entrar em vigor de forma definitiva.
Até lá, a aplicação será gradual e sujeita ao andamento do processo político no bloco europeu.
Com a entrada em vigor, o setor agropecuário passa a operar em um ambiente com maior previsibilidade comercial, mas também com mais exposição à concorrência internacional.
Especialistas apontam que fatores como produtividade, escala, rastreabilidade e acesso a crédito serão determinantes para que produtores consigam aproveitar os benefícios do acordo.
O post Acordo Mercosul-UE entra em vigor nesta sexta-feira; entenda o que muda para o agro apareceu primeiro em Canal Rural.
Suspeitos, de 19 e 24 anos, foram detidos em duas ocorrências nesta terça-feira; além das…
Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil…
A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e,…
Homem de 64 anos apresentou ordem de carregamento falsa para retirar os grãos de uma…
Links em sites de terceiros ampliam as referências sobre uma marca e podem fortalecer sua…
MDA A Prefeitura de Sorriso (MT) abriu uma chamada pública para agricultores familiares interessados em…