Considerada pela Instrução Normativa n° 38, de 1° de outubro de 2018 uma praga quarentenária presente no Brasil (PQP), o caruru gigante (Amaranthus palmeri) já figura como uma das principais e mais preocupantes espécies daninhas no sistema agrícola, especialmente se tratando da produção de grãos.
A espécie apresenta características como rápido crescimento e desenvolvimento, resistência a determinados herbicidas e grande produção de sementes. Aliadas, essas características dificultam o controle efetivo do caruru, contribuindo para o avanço da praga no território brasileiro.
A presença do caruru gigante foi identificada primeiramente no estado do Mato Grosso, em 2015, em lavouras de algodão, sendo por muito tempo, considerada uma praga restrita a região. A suspeita de entrada da praga no país está associada à importação, da Argentina, de maquinário agrícola usado sem a devida limpeza e desinfestação. Contudo, atualmente, a planta daninha ocorre oficialmente nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo (MAPA, 2026).
Recentemente, o Ministério da Agricultura e Pecuária MAPA (2026) confirmou a ocorrência de Amaranthus palmeri no estado de São Paulo, na região de São José do Rio Preto, ampliando o alerta fitossanitário para as lavouras locais. Cabe destacar que, embora o registro da praga em um único município leve à representação de todo o estado como área de ocorrência nos mapas oficiais, a distribuição da planta daninha ainda permanece restrita a focos específicos de cultivo.
Nesse contexto, a adoção de estratégias de manejo que priorizem a contenção e a redução da dispersão de Amaranthus palmeri torna-se essencial. Medidas como o controle rigoroso de focos, a limpeza de máquinas agrícolas e o monitoramento contínuo das áreas são fundamentais para “frear” o avanço da espécie. Ressalta-se que, além de sua elevada habilidade competitiva, o caruru gigante já apresenta, no Brasil, resistência a herbicidas como glifosato, clorimuron-etil, cloransulam-metil e imazetapir. Na Argentina, há registros de resistência ao glifosato e ao sulfentrazone, enquanto no Uruguai já foram confirmados casos de resistência ao glifosato (Heap, 2026), o que reforça a necessidade de estratégias de manejo integradas e preventivas.
HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2026. Disponível em: < https://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 13/04/2026.
MAPA. PRAGA QUARENTENÁRIA PRESENTE É DETECTADA PELA PRIMEIRA VEZ NO ESTADO DE SÃO PAULO. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/praga-quarentenaria-presente-e-detectada-pela-primeira-vez-no-estado-de-sao-paulo >, acesso em: 13/04/2026.
MAPA. PREVENÇÃO E CONTROLE Amaranthus palmeri. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/sanidade-vegetal/Amaranthus%20palmeri >, acesso em: 13/04/2026.
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