A escassez hídrica segue como um dos principais entraves para a produção agrícola no semiárido brasileiro. No entanto, uma alternativa considerada improvável começa a ganhar espaço: o uso de água salobra na produção de mudas nativas da Caatinga.
Pesquisas conduzidas pela Embrapa Semiárido apontam que esse tipo de água, comum em aquíferos da região, pode ser utilizado sem prejuízos ao desenvolvimento das plantas. Pelo contrário, os estudos indicam que as mudas podem se tornar mais resistentes às condições adversas do semiárido, como altas temperaturas e elevada salinidade.
Segundo a pesquisadora Bárbara Dantas, a proposta parte do conceito de agricultura biossalina, que busca adaptar a produção às características naturais do ambiente. “As espécies nativas da Caatinga já estão acostumadas a condições extremas, então conseguem germinar e se desenvolver mesmo em águas com alta concentração de sais”, explica.
“As espécies nativas da catinga já estão adaptadas ao clima da região e as condições extremas da região. Então elas conseguem germinar em altas concentrações de sal, algumas quase numa concentração de água do mar”, destaca a pesquisadora.
Os experimentos mostraram que as mudas irrigadas com água salobra apresentaram crescimento semelhante ao daquelas cultivadas com água tratada.
De acordo com a pesquisadora, não há risco significativo de salinização do solo, já que a irrigação ocorre em substratos, e não diretamente no solo da planta. “Ela vai se desenvolver numa condição que ela pode encontrar no campo, e isso vai tornar ela mais resiliente. Ela vai para o campo já rustificada, já submetida a essa salinidade”, afirma Bárbara Dantas.
Mesmo sem adubação, as mudas apresentaram desenvolvimento semelhante, indicando que a salinidade da água não compromete significativamente esse processo.
No experimento, as mudas não receberam adubação justamente para evitar interferências nos resultados e, ainda assim, apresentaram desenvolvimento semelhante. Isso indica que, mesmo em condições salinas, a absorção de nutrientes ocorre.
Bárbara Dantas explica que, embora a adubação possa potencializar o crescimento, o sal não se mostrou um fator determinante nesse processo, permitindo que as plantas se desenvolvam de maneira equilibrada.
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