Quando chegou ao Vale do Guaporé no ano de 1987, Amelho Volpato, trazia na bagagem a formação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, além da experiência como servidor de defesa sanitária animal. Ele chegou ao município de Pontes e Lacerda acompanhado da esposa e seus três filhos pequenos, com o sonho de tentar a vida em Mato Grosso.
“Chegamos aqui e as dificuldades eram grandes. Comunicação ruim, energia elétrica precária, estrutura de saúde muito fraca. Mas a gente olhou e disse: nós temos que encarar isso aqui para ver se vai dar”, relembra.
Filho de agricultor, Amelho cresceu vendo a força da terra e ainda jovem arrendou áreas com um amigo e plantou soja, milho, trigo e algodão. “Eu costumo dizer que eu tinha uma chave de fenda e ele um alicate, era o nosso equipamento. Mas foi uma escola excelente. O Paraná me ensinou muito.”
A decisão de se mudar para Mato Grosso surgiu acompanhando o movimento de muitos produtores que enxergaram no Centro-Oeste uma nova fronteira de oportunidades. Foi de uma escolha ousada e corajosa que brotou tudo o que veio a seguir. “Eu vendi um trator. O dinheiro do trator foi a semente que criou a Casa do Produtor e era a única coisa que eu tinha. O resto foi construído com muito trabalho.”
A pequena loja, a qual ele gerencia ao lado se sua esposa Neusa, se transformou em um grupo sólido que hoje reúne comércio de insumos, revenda de máquinas, estrutura de armazenagem, agricultura e pecuária. “Quando abrimos a loja, o sonho era faturar dois salários mínimos por dia. Já estava bom demais. Mas o sonho cresceu porque a gente acreditou”, enfatiza.
Mais do que números ou hectares plantados, Amelho mede o sucesso pelas pessoas que caminharam junto com ele. “Hoje nós temos em torno de 150 a 180 famílias que dependem da nossa estrutura. E isso é o que me dá orgulho. Ver colaboradores que começaram meninos aqui e hoje são empresários, engenheiros, médicos. Um negócio não pode ser só para você crescer. Quem está do seu lado tem que crescer também.”
Para ele, o futuro do setor depende de algo simples e essencial: exemplo. “Se nós não fizermos nossos filhos entenderem que agricultura e pecuária são importantíssimas para todos no mundo, não só para nós, fica difícil. Eles têm que sujar o pé de terra, sentir o cheiro do curral, entender que o alimento não nasce na prateleira.”
Aos 74 anos, ele fala com energia de quem ainda quer construir muito mais. “Eu tenho orgulho do que construímos. Isso me dá energia para continuar. Quando eu comecei, era funcionário. Hoje, olho para trás e vejo uma estrutura que ajuda muitas famílias. Isso não tem preço.”
A trajetória de Amelho Volpato prova que a visão, coragem e trabalho constroem mais do patrimônio, mas também consolidam um legado. São histórias como a dele que fortalecem o agro mato-grossense, que é moldado a partir de histórias de pessoas que fazem a diferença.
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