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‘É preciso R$ 50 bilhões para fazer um Plano Safra robusto’, afirma Neri Geller


Foto: Canal Rural Mato Grosso

“Os cinco últimos Planos Safra foram um desastre”, afirma o ex-ministro da Agricultura, Neri Geller. Ele aponta ainda que o setor passa por um momento complexo, marcado por falta de renda, juros altos e dificuldade de acesso ao crédito.

A avaliação ocorre em meio às mudanças no Executivo — mais de uma dezena de ministros deixou os cargos para disputar as eleições de outubro — e quase dois anos após a saída de Geller da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, em junho de 2024.

Em entrevista ao Canal Rural, o ex-deputado federal por Mato Grosso defende mais recursos alocados para equalização de juros, seguro rural e política de comercialização. “É preciso colocar R$ 50 bilhões para fazer um Plano Safra robusto. Fora disso, não dá para fazer nada”, diz Geller.

Ele também destaca a necessidade de taxas próximas a 7,5% a 8% para viabilizar a produção. “É voltar a ter programa de construção de armazém e de correção de solo com taxa subsidiada e equalizada pelo Tesouro Nacional”, completa.

Crédito rural no limite

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em março, a taxa básica de juros caiu 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Com a Selic elevada, o custo de equalização atingiu recordes, limitando a oferta de “juros baratos”.

Além disso, o agronegócio registra um aumento considerável dos pedidos de recuperação judicial, seja por causa dos juros altos, quebra de safra ou queda nos preços das commodities. “A questão do crédito no Brasil está completamente bagunçada”, diz Geller.

Agro precisa se organizar

O mês de abril marca o último bimestre do Plano Safra 2025/26, mas também levanta dúvidas sobre a construção do próximo plano agrícola e pecuário. Um componente de atenção extra é a saída dos ministros Carlos Fávaro, da Agricultura, e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, para concorrer às eleições.

Sobre o novo titular do Mapa, o ex-deputado André de Paula, que até então estava à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura, Neri Geller avalia que ele tem um perfil “muito acessível”, mas aponta que é importante que o setor agrícola se organize para negociar com o governo.

“Ele foi parlamentar, tem leitura da política do Brasil, é jeitoso e comprometido, mas não tem força política”, pondera.

Nesse contexto, Geller ressalta que o agro tem que se fazer presente para fazer as reivindicações necessárias. “Nós, enquanto liderança classista, temos que nos fazer presentes na esfera de governo para reivindicar junto com a bancada federal e a Frente Parlamentar da Agropecuária o que o setor precisa”, reforça.

Conta que não fecha

De um lado, o país vive a expectativa de colher uma safra recorde, com 353,4 milhões de toneladas, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De outro, o cenário é de crédito restrito e custos de produção elevados.

Na avaliação do ex-ministro, a conta não fecha. O principal risco, segundo ele, é a retração da atividade no campo.

“Hoje o governo tem que dar atenção para o setor. Não é porque é ano eleitoral, é porque o setor realmente está passando dificuldade e a economia do Brasil é que vai sofrer com isso”, finaliza.

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agro.mt

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