As cotações da soja, em Chicago, estiveram com leve viés de baixa nesta virada de mês, repercutindo os relatórios de plantio e estoques nos EUA, os quais vieram baixistas. O bushel da oleaginosa, para o primeiro mês cotado, fechou a quinta-feira (02/04) em US$ 11,63, contra US$ 11,73 uma semana antes. A média de março ficou em US$ 11,70, ganhando 4,2% sobre a média de fevereiro. Em março do ano passado a média havia sido de US$ 10,05/bushel. Ou seja, atualmente o bushel de soja, em Chicago, está US$ 1,65 mais elevado do que há 12 meses atrás.
Quanto ao relatório de intenção de plantio nos EUA, divulgado no dia 31/03, o mesmo apontou um aumento de 4% na área a ser semeada com soja naquele país. Em condições normais de clima isso poderá gerar uma produção, no final do corrente ano, ao redor de 120 milhões de toneladas. A área a ser semeada seria, então, de 34,3 milhões de hectares em 2026. Já o relatório de estoques, na posição 1º de março nos EUA, indicou um aumento de 10% sobre igual período do ano anterior, com os mesmos ficando em 57,1 milhões de toneladas.
Mesmo assim, as cotações em Chicago se mantiveram elevadas. Pesou, para isso, as indefinições em relação à guerra no Oriente Médio, a qual mantém o petróleo com preços altos, fato que puxa o óleo de soja. Este subproduto da soja chegou a bater em 68,88 centavos de dólar por libra-peso no dia 31/03, a mais alta cotação desde o dia 13/07/2023. Apenas em março passado a cotação média do óleo de soja, em Chicago, subiu 14,4% sobre a média de fevereiro, após já ter subido 11,1% em fevereiro, na comparação com janeiro. Nos primeiros três meses de 2026 a cotação do óleo de soja, naquela Bolsa, subiu 32,5%, o farelo ganhou 4,9% e o grão 8,7%.
Entretanto, quando a guerra perder força (ou terminar) a tendência é Chicago recuar. A partir daí muita coisa irá depender dos acordos comerciais entre EUA e China (reuniões entre os dois países estão previstas para maio), lembrando que a pressão climática nos EUA começará a pesar, além do aumento da área semeada, assim como haverá pressão da excelente colheita brasileira (quase 85% da área já está colhida e ainda há metade da safra a ser negociada, ou seja, existe muita soja disponível), fato, por sua vez, baixista igualmente (cf. Brandalizze Consulting).
E no Brasil, apesar de um Real valorizado (R$ 5,17 por dólar na manhã do dia 02/04), os preços melhoraram um pouco, com as principais praças gaúchas praticando R$ 119,00 a R$ 120,00/saco, enquanto no restante do país o saco da oleaginosa girou entre R$ 102,50 e R$ 115,00.
Por outro lado, uma nova estimativa de safra nacional foi divulgada pela iniciativa privada. Agora, o volume esperado é de 179,7 milhões de toneladas, mesmo com as quebras no Rio Grande do Sul. Com tal volume, o consumo interno deve alcançar 65 milhões de toneladas e as exportações 112 milhões, o que leva os estoques finais brasileiros, para este ano comercial, a 6,44 milhões de toneladas (cf. StoneX).
Enfim, a exportação de soja pelo Brasil, em março, deve ter atingido a 15,9 milhões de toneladas, superando levemente o volume de março do ano passado. Já em farelo de soja as vendas externas teriam somado 2,24 milhões de toneladas em março.
Fonte: Ceema
Autor: Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI)
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: CEEMA UNIJUÍ
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