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‘Com maior potencial de perda, ferrugem asiática é a doença mais severa da soja’, diz pesquisadora da Embrapa


Foto: Leila Costamilan/ Embrapa Trigo

Considerada uma das doenças mais agressivas da cultura da soja, a ferrugem asiática segue avançando nas lavouras brasileiras. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a doença pode provocar perdas de até 90% na produtividade quando não controlada adequadamente, o que reforça a necessidade de manejo preventivo e integrado nas áreas de produção.

De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, já são 374 ocorrências registradas no Brasil, com maior concentração na região Sul e Centro-Oeste. O estado do Paraná lidera com 156 casos, seguido por Mato Grosso do Sul (70), Rio Grande do Sul (61), Bahia (42) e São Paulo (19). Na sequência aparecem Goiás (8), Mato Grosso (7), Minas Gerais (5), Rondônia (3), Santa Catarina (2) e o Distrito Federal (1).

Segundo Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja, o problema exige atenção constante, especialmente diante do alongamento da janela de plantio. “Hoje a ferrugem não é a principal doença que ocorre nas lavouras, mas ainda continua sendo a doença mais severa da soja, com maior potencial de causar perda”, afirma.

De acordo com a pesquisadora, os primeiros focos da doença costumam surgir na região Sul, principalmente no Paraná, influenciados por fatores climáticos e pelo calendário agrícola de países vizinhos. “Quando a gente observa os dados do consórcio, normalmente a ferrugem começa pelo Paraná, pela região Sul, não só em função do plantio, mas também por causa do Paraguai, que planta antes. O Paraguai começa a plantar já no início de setembro”, explica.

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Outro ponto relevante é a sobrevivência do fungo durante o inverno. No Sul, as condições são mais favoráveis à manutenção do inóculo, diferentemente do Cerrado. “No Paraná, como temos chuvas durante o inverno, há maior sobrevivência de esporos de ferrugem em plantas voluntárias, o que mantém o inóculo. Diferente do Cerrado, que é muito seco e não favorece essa sobrevivência”, destaca.

Nesta safra, um dos principais fatores de preocupação é a ampliação da janela de plantio, que aumenta o risco para lavouras semeadas mais tarde. “O que temos observado é que a janela de plantio está se estendendo demais. O principal controle da ferrugem hoje é semear cedo, com material precoce, até para viabilizar a segunda safra de milho. Mas quando você abre essa janela, as lavouras plantadas mais tarde, principalmente em novembro, acabam pegando um inóculo maior vindo das primeiras áreas”, alerta.

Segundo ela, produtores que precisaram replantar, seja por seca ou granizo, devem redobrar os cuidados. “Semeaduras após novembro são muito mais favoráveis para a ocorrência de ferrugem. O produtor que plantou mais tarde precisa ter atenção, porque o risco é maior”, afirma.

O monitoramento das lavouras e das condições climáticas é essencial para o manejo eficiente da doença. “O produtor pode acompanhar as ocorrências pelo site do consórcio de ferrugem ou por aplicativos. Quando surgem os primeiros casos, são emitidos alertas, porque é um fungo que se dissemina pelo vento. A partir do momento em que aparece na região, já existe inóculo”, explica.

Ela reforça que o clima também precisa ser considerado na tomada de decisão. “Não basta só a presença do fungo. É preciso observar o clima. Às vezes está muito seco e não é tão favorável. A doença depende sempre da combinação entre o patógeno, o hospedeiro, que é a soja, e condições climáticas adequadas”, pontua.

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Por fim, a pesquisadora destaca que o controle deve ser antecipado, já que a ferrugem apresenta resistência e é difícil de conter após a instalação. “A ferrugem tem bastante resistência hoje. O produtor não pode esperar ela entrar na lavoura para controlar. É fundamental começar com controle preventivo, utilizando produtos eficientes, porque depois que ela se instala é difícil segurar. O objetivo é manter a lavoura limpa para evitar perdas de produtividade”, conclui.

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agro.mt

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